O Último Tango

Published On 11/08/2016 | Jogos Históricos, Pelé
Por Ronaldo Silva
Santos, 11/08/2016
Atualizado, 27/02/2017

O jogo anunciado como “o último grande espetáculo de Pelé em Buenos Aires” despertou grande interesse na torcida argentina, com uma grande procura para prestigiar o Rei e a equipe do Santos que contava com nomes como o magistral goleiro argentino Agustín Mário Cejas e a presença dos campeões do mundo Carlos Alberto e Edu.
A renda do jogo foi destinada completamente para os jogadores e comissão técnica do Huracán como premiação do título de campeão metropolitano de 1973 (equivalente ao nacional). A equipe argentina contava como ótimos valores como Brindisi, Babington, Avallay e Houseman e contava no banco com a presença de César Luis Menotti que havia jogado no Santos em 1968 e que futuramente se tornaria campeão do mundo comandando a Seleção Argentina em 1978.

O JOGO

Com a presença de 35.000 pessoas que lotaram o estádio conhecido como “El Palácio” para reverenciar a presença do Rei, que durante sua carreira apresentou grandes partidas em solo argentino e onde conquistou em duas oportunidades a Taça Libertadores da América enfrentando Peñarol e Boca Juniors.
Somente nos primeiros 25 minutos de jogo que o time argentino dominou a partida e levou certo perigo a meta defendida por Cejas. A grande atração da noite Pelé não conseguia se desvencilhar da forte marcação imposta pelos jogadores do Huracán, mas a atenção que a defesa argentina lhe dava era benéfica para os outros atancantes santistas buscarem jogadas individuais, como Edu e Mazinho.
O Santos conseguiu equilibrar a partida, enfim saíria na frente do marcador como descreveu o jornal O Estado de São Paulo “Depois de criar algumas oportunidades, o Santos conseguiu abrir a contagem aos 31 minutos”, quando Edu, cobrando uma falta, a 15 passos da grande área, chutou sem muita violência. O goleiro Roganti, quis espalmar a bola, mas acabou deixando que ela entrasse na meta”
SEGUNDO TEMPO
No segundo tempo, o Santos partiu para o ataque em busca de ampliar o placar e logo no primeiro minuto após uma tentativa de Edu, a bola sobrou nos pés de Pelé que aproveitando o rebote de dentro da área não teve dificuldade num leve toque encobrir o goleiro Roganti. Um gol digno de Rei, um golaço que valeu o ingresso pago por todos presentes no El Palácio.

Pelé e Edu atormentam a zaga do Huracán (Foto/Assophis)

Com a vitória parcial por 2 gols de diferença, o Santos teve tranqüilidade para impor seu bom futebol e o time argentino se conformou com a derrota e dando oportunidade para o alvinegro atacasse mais vezes. Aos 8 minutos, Nenê marcou o terceiro gol santista, num lance que houve muita reclamação de impedimento por parte dos jogadores do Huracán. E aos 34 minutos, com um chute de fora da área de Léo Oliveira que surpreendeu Roganti e fechou o marcador.
Despedida em grande estilo do Rei na Argentina, com implacável vitória santista por 4 a 0 e Pelé marcando um gol espetacular pelos campos do mundo como escreveu O Estado de São Paulo em 07/12/1973 “No primeiro minuto do segundo tempo, quando o Santos já estava vencendo por 1 a 0, Hermes cruzou a bola que bateu na trave e voltou para a área onde Edu chutou para Pelé que dando “chapéu” no seu marcador colocasse a bola no gol sem que ninguém pudesse evitar”.

Ficha técnica:
05/12/1973 – Huracán/ARG 0 x 4 Santos
Gols: Edu aos 31min do primeiro tempo; Pelé a 1min, Nenê aos 8min e Léo Oliveira aos 34min do segundo tempo.
Local: Estádio Tomás Adolfo Ducó, em Buenos Aires, Argentina.
Competição: Amistoso
Renda: 67.334.500 pesos
Público: 35.000
Árbitro: Ithurralde
SFC: Cejas (Wilson Quiqueto); Hermes, Marinho Peres, Vicente e Roberto (Zé Carlos);
Carlos Alberto e Léo Oliveira (Brecha); Mazinho, Nenê (Tostão), Pelé e Edu. Técnico: Pepe
CAH: Roganti; Chabay, Bublione, Russo e Carrascosa; Leone (Cantri), Brindísi e Babington; Houseman, Avallay (Scalise) e Larosa (Quiroga). Técnico: César Luis Menotti

Fontes e Referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Folha de São Paulo”;
ASSOPHIS;
Revista “El Gráfico” (Argentina)

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