Os Donos da América

Published On 16/02/2017 | Jogos Históricos, Taça Libertadores
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 16/02/2017

O duelo decisivo entre os grandes esquadrões do futebol sul-americano foi marcado para campo neutro, em Buenos Aires. Após a realização dos dois primeiros jogos que apontaram no primeiro encontro a vitória do Santos por 2×1, em Montevidéu, e na segunda partida, caracterizada por diversos tumultos na Vila Belmiro, foi decretada a vitória do Peñarol por 3×2.
As casas de apostas argentinas apontavam favoritismo santista, apesar do forte apoio de 15.ooo torcedores carboneiros que cruzaram o Rio da Prata para apoiar o Peñarol.
Pelé, que não havia atuado nos primeiros jogos da decisão, era o trunfo de Lula para conquistar a América e consolidar a fama do esquadrão santista formado por craques do quilate de Gylmar, Mauro, Zito, Coutinho, Pepe.
Desde o ano anterior, o Santos após grandes espetáculos apresentados em solo europeu era apontado pela imprensa internacional como a melhor equipe do mundo. O Peñarol, era o atual bicampeão da Taça Libertadores da América e havia conquistado o Mundial Interclubes de 1961 sobre o Benfica, vivia um momento iluminado e rico em conquistas. Uma equipe que mesclava raça e técnica, sob a orientação do treinador húngaro Bela Guttman o time contava com grandes nomes como Maidana, Matosas, Pedro Rocha e Spencer.

O JOGO
O Peñarol iniciou a partida com dois ataques perigosos, mas o primeiro grande susto do Santos aconteceu justamente em um de seus contra-ataques, quando Pelé caiu ao chão, contorcendo-se em dores. Em princípio, houve a suspeita de que sentira a distensão na coxa mas depois ele próprio esclareceria que levara uma pancada na cabeça numa disputa com Lezcano e seguiu jogando. O Santos demonstrava indecisão, permitiu que os uruguaios atacassem impetuosamente, forçando Gylmar a ceder dois escanteios consecutivos.
Numa resposta a essa pressão inicial, aos 11 minutos, que o Santos conseguiu anotar seu primeiro gol. Coutinho recebeu um passe da direita, deslocando-se para a esquerda da área uruguaia, e conseguiu se desvencilhar dos marcadores para atirar com violência ao gol. O goleiro Maidana estava bem colocado para a defesa, mas a afobação de Caetano em salvar sua meta foi desastrosa. A bola desviou em sua perna e foi para o fundo da rede.
O Peñarol esboçou uma forte reação, que passou a atuar melhor. Aos 28 minutos, Spencer atirou na trave, quando toda a defesa santista estava batida, à espera do gol de empate. Essa jogada, como uma advertência, fez com que o Santos mudasse seu modo de agir. Passou a prender a bola, com mais segurança. Pelé, Coutinho e Dorval passaram a realizar jogadas eficientes. A primeira fase chegou ao final com o Santos no ataque, bem armado e o time uruguaio dominado.
SEGUNDO TEMPO
Aos 3 minutos, uma jogada brilhante desde seu primeiro movimento: Coutinho travou a bola no alto, cortando um passe longo de Zito, para lançar Pelé à direita. A defesa do Peñarol se confundiu na marcação e Pelé teve tempo para equilibrar-se para atirar de fora da área, com violência, a meia altura no canto esquerdo de Maidana para fazer o segundo gol santista.
Com a desvantagem no marcador, os Carboneiros partiram para o ataque, de qualquer modo, explorando a velocidade de Pedro Rocha e Spencer, mas Gylmar numa tarde magistral conseguiu impedir o ímpeto do Peñarol. O Santos, pouco a pouco, reassumiu o controle da partida com tabelas ligeiras entre Coutinho e Pelé, atuando de forma penetrante, preciso nos passes e marcação.
O time alvinegro passou a realizar belas jogadas para deleite do público presente ao Monumental de Nuñez.

Atletas santistas vibram com mais um gol marcado! (Foto/Gazeta Esportiva)

Nos últimos minutos da decisão, Pelé demonstrou todo seu talento lançando uma sequência de dribles em direção ao gol uruguaio passando por dois adversários e quase superando o goleiro Maidana. Trocando passes com Coutinho, o Rei voltou a invadir a área do Peñarol para marcar o terceiro gol alvinegro. O goleiro uruguaio ainda conseguiu impedir o chute de Coutinho que caiu nos pés de Pelé que chutou com precisão.
O árbitro holandês Leo Horn nem permitiu o reinício da partida, a torcida que ainda aplaudia o gol de Pelé levantou-se para saudar os novos “Donos da América”.
Os jogadores comemoraram efusivamente essa importante conquista que permitiu ao Santos a primazia de ser o primeiro time brasileiro a vencer a Taça Libertadores da América e obter o direito de disputar o Mundial Interclubes versus o campeão europeu, Benfica.

Ficha Técnica:
30/08/1962 – Santos 3 x 0 Peñarol-URU
Gols: Caetano (contra) aos 11min do primeiro tempo; Pelé aos 3min e 44min do segundo tempo
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, Argentina
Competição: Taça Libertadores da América
Renda: Cr$ 31.000.000,00 ou 5.365.400 pesos
Público: 45.980
Árbitro: Leo Horn (Holanda)
SFC: Gylmar; Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
CAP: Maidana; Caño, Lezcano e Gonzalez; Caetano e Gonçalves; Matosas, Pedro Rocha, Sasia, Spencer e Joya. Técnico: Bela Guttman

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal do Brasil;

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