Campeão pós era-Pelé com os Meninos da Vila!

Published On 02/10/2015 | A História das conquistas, Histórias
Por Kadw Gommes
Santos, 02/10/2015
Atualizado, 28/06/2017

O Campeonato Paulista de 1978 foi o mais longo de todos os Campeonatos promovidos pela FPF (Federação Paulista de Futebol), iniciado em 20 de agosto de 1978 e terminando em 28 de junho de 1979. Para conquistar o título e levar o enorme troféu do certame para a Vila Belmiro, o Santos jogou o incrível número de 56 partidas (o campeonato teve 3 turnos, mais semifinal e final), vencendo 26 jogos, empatando 16 e perdendo 14 partidas, marcando 80 e sofrendo 47 gols. Com isso o triunfo no certame, esse time foi também o primeiro a conquistar um título sem a presença do Rei Pelé que houvera encerrado sua carreira no clube em 1974, a última conquista havia sido no Camp. Paulista de 1973.
os meninosNaquele período, a questão econômica começou a ser sentida com a ausência das tradicionais excursões que ocorriam em menor frequência, outro problema que ocasionava eram os calendários absurdos montados pela FPF e a CBF na década de 1970. Em meio a problemas citados, gradativamente o clube entrou numa crise técnica e financeira. O auge da crise ocorre entre 1976 (terrível situação financeira começava a se aflorar) e começo de 1978, resultando em brigas nas arquibancadas com os torcedores revoltados e o time com maus resultados nas competições. No entanto, foi nesse período tenebroso que a capacidade de reinvenção e de superar dificuldades do clube entrou em cena, surgiram os “Meninos da Vila”.
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O Peixe tentou buscar uma solução para o mal momento vivido e, assim, apostou numa velha forma de sucesso: contar com garotas da base, que a partir daquele ano, seria batizada para sempre na história do clube. O técnico Chico Formiga, sabendo da impossibilidade da diretoria de buscar grandes reforços para o time, foi buscar na base santista uma solução, implantando um trabalho brilhante, postulando sua filosofia aos jogadores promovidos da base, como Juary, Nilton Batata, João Paulo e Rubens Feijão, deu subsídios necessários ao futuro craque Pita para integrar o elenco de cima, que formou uma dupla de craques no meio campo, com Clodoaldo e Aílton Lira, e depois durante o ano foi subindo outros garotos, como: Zé Carlos, Toninho Vieira, Joaõzinho, Claudinho e Célio.
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O Santos faz estreia dia 20 de agosto, e mesmo jogando melhor, empata com o Corinthians no Morumbi, numa partida que marcou a estreia de Sócrates no SCCP e o batismo de fogo para os meninos. Em seguida, no clássico das praias, uma vitória apertada por 2×1. Contra o Comercial, o Santos impõe 5×0 com três gols, em menos de 15 min – era o futebol “discoteque”! No Compromisso seguinte em Campinas, contra a temível Ponte Preta: a macaca abre 2×0 e toca a bola esperando o tempo passar, mais faltando cinco minutos o alvinegro empata. Explosão num canto de Moisés Lucarelli, e o pau quebra nas arquibancadas: eram 33.000 torcedores se apertando no velho estádio da Ponte. Uma pancadaria sem proporções no estádio, e a torcida santista ganhava a fama de fanática, entusiasta e violenta. Depois em Marília, outra confusão da massa santista.
11081288_449846588504027_868463418657052434_nNa partida contra a Portuguesa, o Morumbi vira o “Dancin’ Days” (discotecas da época), o Santos aplica 4×0 com o baile característico do futebol irreverente. Vence o Noroeste, empata em Ribeirão Preto (Botafogo) e passa pela Francana. No Morumbi diante do SP confronto de invictos: melhor para o Santos que com 3 gols de Juary destrói a defesa tricolor! Um espetáculo, em campo, nas arquibancadas e no placar! Não havia espaço para dúvidas, aquele era um grande time, digno das tradições alvinegras.
O SFC seguiu invicto até o próximo clássico: Cerca de cento e vinte e sete mil pessoas abarrotaram o Morumbi/SP. Uma pena que o a invencibilidade alvinegra foi quebrada. Na sequência derrota para o Guarani (Campeão Brasileiro de 1978). O time perde um pouco a concentração, mas a sua pontuação é o suficiente para garantir a participação na fase decisiva do turno.
Na fase eliminatória, o SFC enfrenta o SP e elimina o tricolor com o empate em 0 a 0 persistido até na prorrogação. Na semifinal, o adversário era o grande time da Ponte Preta, e com um gol antológico de Ailton Lira de falta, o Peixe decretou a eliminação do alvinegro campineiro. Na outra semifinal, o Corinthians eliminava o Guarani e colocava-se na final contra o Santos FC. O árbitro escalado seria Dulcídio Vanderlei Boschilia, o mesmo que comandara o título, ou a partida entre Corinthians e Ponte, em 1977. O Dulcídio fez o que todos esperavam: Corinthians 1×0 Santos.
10357179_688283934588110_3542442601228432223_nCom o vice-campeonato da Taça Cidade de São Paulo, o alvinegro já estava classificado para o 3º e decisivo turno. Antes disso, porém, havia um longo caminho a ser percorrido. Ainda em dezembro de 1978 começava o 2º turno, e o time começou um tanto desconcentrado: perdeu para a Francana, uma vitória opaca sobre a AA Portuguesa no clássico praiano, uma vitória no sufoco contra o “moleque travesso” e um empate com o Marília encerravam o ano de 1978. Na 1ª partida de 1979, uma grande festa estava reservada a volta de Serginho Chulapa (após cumprir gancho) ao ataque tricolor. Morumbi lotado, os tricolores estavam confiantes, mas os santistas eram maioria, até mesmo no setor reservado aos tricolores. No jogo: o Santos vence com ímpeto e soberania 4×1 no SP, com gols de Juary (2) e Ailton Lira (2).
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E o SFC foi seguindo sua fervorosa campanha, vencendo os times do interior, tropeçando em Sócrates, até que chega o clássico com o Palmeiras em 04 de março. O destaque não é o gol relâmpago de Juary, mas a torcida santista, que abre uma faixa na arquibancada exigindo “Anistia ampla, geral e irrestrita”. Ao final do turno, o Santos classifica-se para ficando em 1º lugar em seu grupo. Assim como no 1º turno, quem encara o SFC é a Ponte Preta. A Ponte era a equipe com maior quantidade de pontos e o jogo é dos melhores com 53 mil pessoas no Morumbi. O empate de 1×1 manda a partida para a prorrogação, porém faltando 3 min para o final da prorrogação, a Ponte desempata e se classifica.
Nesta confusão começa o 3º e último turno, os participantes são: Corinthians, Santos, Guarani e Ponte (Campeão e Vice de cada turno); São Paulo e Palmeiras (2 melhores por pontos), Portuguesa (por gols marcados), Francana (por arrecadação), Juventus (Vice do Torneio Incentivo) e Botafogo (a vaga deveria ser do Paulista – Campeão do Torneio Incentivo – mas, como o Paulista foi rebaixado, o tricolor de Ribeirão Preto ficou com a vaga pelo nº de pontos).
No início do 3º turno o alvinegro foi arrasador: pegou o Botafogo e surrou 5×1, veio a Francana e mais uma vitória praiana (1×0), clássico na Vila Belmiro e a instável Portuguesa toma de 5×1. Inexplicavelmente o time desanda, perde 3 partidas em seguida: São Paulo, Juventus e Palmeiras. A classificação está por um fio. As duas partidas seguintes são contra as poderosas equipes de Campinas, Guarani e Ponte, ambas no Pacaembu. O futebol do SFC renasce, com um toque de bola envolvente bate o Guarani por 3×1 e a Ponte por 2×0. Na última rodada, o Juventus enfrentaria a Ponte no Pacaembu e macaca vence por 2×1, com esse resultado o Palmeiras venceu o grupo, e Santos e Ponte ficaram em 2º, porém no critério de desempate o Santos foi o classificado.

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As semifinais apontavam: Santos x Guarani e Palmeiras x São Paulo. O Guarani era franco favorito, além de ter feito mais pontos que o Santos em todo Campeonato, pegava o alvinegro aos pedaços sem 5 titulares (Clodoaldo, Vitor, Neto, Nilton Batata e Aílton Lira). Mesmo desfalcado, o ataque santista foi infernal e liquidou o Campeão Brasileiro de 78, com categóricos 3×1!  Os garotos ganharam personalidade e conjunto, jogavam de igual para igual frente ao poderoso Corinthians de Sócrates, Zé Maria, Wladimir e Cia, atropelavam o São Paulo de Waldir Peres, Serginho e Zé Sérgio, e batiam os fortíssimos times de Campinas, comandados por Careca, Zenon, Renato, Dicá, Lúcio, Carlos, Oscar e etc. A consagração final ocorreu batendo na decisão o forte São Paulo (Campeão Brasileiro em 1977), enchendo de orgulho e renovando as esperanças e satisfações alvinegras.
1461875_823577761058726_8298106725162849974_nAs decisões do Campeonato Paulista de 1978 ocorrem apenas no ano de 1979 e, foram o momento de coroação ao melhor time do certame, o Santos venceu o primeiro jogo por 2 a 1 no Morumbi/SP (dia 24/06) com gols de Juary e Pita.
Na segunda partida um empate em 1 a 1, dia 24/06, novamente no Morumbi/SP. A terceira e decisiva partida ocorreu no dia 28 de junho de 1979, perante um público de 80.488 espectadores, numa noite fria de inverno no estádio do Morumbi/SP: O Santos veio a campo, com: Flávio; Nelsinho Batista, Antônio Carlos, Neto (Fernando) e Gilberto Sorriso; Zé Carlos, Toninho Vieira e Pita (Rubens Feijão); Nilton Batata, Juary e Claudinho. O técnico era o saudoso Francisco Ferreira de Aguiar, o popular Chico Formiga.
E com esse saudoso time, o Peixe sagrava-se Campeão Paulista referente ao ano de 1978, apresentando um futebol em ritmo de discoteca: a garotada santista jogava por música, o lema era “canta, dança e joga”, o Santos foi a sensação do futebol brasileiro. Com a conquista, a torcida santista que lotou as arquibancadas vibrou intensamente com os meninos craques, sendo este o 14ª título estadual da história santista.
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Fontes e Referencias:
Blog do Professor Guilherme Nascimento;
Gazeta Esportiva;

2 Responses to Campeão pós era-Pelé com os Meninos da Vila!

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