Os onze mágicos!

Published On 30/05/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva,
São Paulo, 30/05/2017

O Santos desembarcou na Itália cercado de expectativas após a recém conquista do Torneio de Paris, numa decisão eletrizante contra o Benfica, com uma expressiva goleada de 6×3 sobre o Campeão Europeu.
O Torneio Itália 61 celebrava o centenário da unificação do país anfitrião, além do Santos estariam presentes alguns dos grandes esquadrões da época como Juventus, Internazionale e River Plate.
A estreia seria diante do principal time da Itália, naquele momento a Juventus era a atual Bicampeã Nacional e Campeã da Copa da Itália. Para muitos cronistas italianos esse confronto diante da Vecchia Signora era observado como uma final antecipada do torneio. Duas equipes poderosas, com diversas credenciais. Se por um lado, o Santos apresentava um futebol de classe e virtuosismo que encantava as plateias do planeta. No outro, a Juventus demonstrava uma equipe que aliava a tradicional capacidade tática do futebol italiano com a presença de um ataque poderoso com a presença do famoso “Trio Mágico” composto pelo gigante galês John Charles, pelo experiente Boniperti (que se despediu da Juventus antes do torneio) e principalmente pelo astro argentino Omar Sivori (artilheiro do calcio e vencedor do Ballon d´Or 1961).

 O JOGO
As equipes entraram em campo ao mesmo tempo, portando o Santos a bandeira italiana, enquanto os jogadores da Juventus conduziram a bandeira do Brasil, sob palmas do público que abarrotou o Estádio Comunalle com 60 mil pessoas. O confronto iniciou com as equipes excessivamente cautelosas, tomadas de nervosismo e com receio mútuo. A defesa santista demonstrou segurança com o ímpeto inicial do time bianconeri. Aos 4 minutos, surge o primeiro momento de perigo, Pelé num tiro potente obrigou o goleiro Vavassori se atirar no canto direito e desviar a bola para escanteio.
O duelo seguiu equilibrado, com Pelé de um lado e Sívori e John Charles de outro comandando ataques bem coordenados, mas improdutivos. O jogo se tornou brusco, resultando em faltas pesadas de ambos os lados. Aos 24 minutos, Pelé aproveitou bom passe de Dorval e quase abria o marcador para o Santos.
Os donos da casa conseguiram em algumas oportunidades envolver a zaga santista, mas tiveram suas finalizações defendidos com tranquilidade por Laércio como, aos 33 minutos, no bom arremate de Nicolé. O time santista voltou a assediar a meta italiana com Pelé, aos 35 minutos, porém a primeira etapa se encerrou sem abertura de contagem.
SEGUNDO TEMPO
Com diferente posicionamento de Lima e Mengálvio, foi possível ao Santos iniciar a etapa complementar dominando o meio de campo, com maior organização o time passou a deslanchar e com maior constância chegar ao ataque. Pelé, duramente marcado, sofreu muitas faltas ignoradas pelo árbitro italiano. Ainda assim, o Rei imprimiu um ritmo diferente que foi sentida pela equipe de Turim. Por outro lado, o craque Sívori que passou o primeiro tempo atuando na armação também passou a buscar oportunidades para finalização, mas foi anulado pela retarguarda santista comandada por Mauro.
Num avanço do ponteiro Mora, houve um belo desarme de Décio Brito que fez a ligação para a intermediária adversária, permitiu a Pelé, aos 25 minutos, marcar o primeiro gol da partida. O Rei partiu rapidamente, livrou-se da marcação de Emoli com uma finta desconcertante e de fora da área arriscou um violento tiro. A rapidez do lance surpreendeu Vassasori, bola na redes da Juventus e intensa euforia dos jogadores santistas.
O Santos se fortaleceu e passou a exercer pressão ainda maior. Um tiro de Pepe, aos 37 minutos, visando o ângulo superior direito foi milagrosamente desviado pelo goleiro italiano e na sequência rechaçado por Leoncini para a linha lateral. Aos 42 minutos, num passe de Lima, Pelé fez o lançamento sob medida para a direita, servindo Dorval que infiltrando entre Sarti e Cervato conseguiu ingressar na área e apontou com decisão. O tiro cruzado, semi-rasteiro, venceu Vavassori para consolidar o triunfo do Santos sobre a badalada Juve.
Grande apresentação contra a “Vecchia Signora”, o Santos venceu com autoridade demonstrando seu futebol repleto de magia que encantava onde passava. A imprensa local reconheceu de maneira quase unânime o favoritismo do Santos para a conquista do torneio. O jornal Il Giorno, de Milão, interpretou parte do pensamento dos jornalistas esportivos italianos ao comentar “O Santos, o invencível Santos, impôs-se em Turim e não vemos outro conjunto que possa enfrenta-lo na campanha pelo título do Torneio Itália 61”.

Ficha Técnica:
18/06/1961 – Juventus-ITA 0 x 2 Santos
Gols: Pelé aos 25min e Dorval 42min do segundo tempo
Local: Estádio Comunalle, em Turim, Itália
Competição: Torneio Itália 61
Público: 60.000
Árbitro: Campernati (ITA)
SFC: Laércio; Mauro e Décio Brito; Getúlio, Dalmo e Lima; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
JFC: Vavassori; Leoncini, Sarti e Colombo; Emoli e Cervato; Mora, John Charles, Nicolé, Sívori e Stacchini. Técnico: Parola

Fontes e referências
Almanaque do Santos FC;
Jornal A Tribuna de Santos;
Jornal O Estado de São Paulo;
ASSOPHIS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *