Descobridor da América!

Published On 07/10/2015 | A História das conquistas
Por Kadw Gommes
Santos, 05/10/2015
Atualizado, 30/08/2017

1966950_721379924611844_1389465423473356044_nEm 1962, já não se havia dúvidas de qual era o melhor clube do Brasil. O Campeão Brasileiro não teve muita folga; apenas 11 dias depois de golear o Bahia na final da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) de 1961, o Alvinegro já estava no Equador vencendo o Barcelona S.C., de Guayaquil, por 6 a 2. O time desfilou, naquele início de ano, pelos gramados sul-americanos com um objetivo em mente. Depois de alcançar a hegemonia estadual e de se firmar como campeão da principal competição nacional, o time agora almejava vôos maiores: o clube já se tornava campeão de diversos torneios amistosos disputados na Europa e América Latina, e agora o Santos Futebol Clube podia conquistar seu primeiro título internacional oficial: a Copa Libertadores da América de 1962.
Para não repetir o fracasso do Bahia em 1960 (eliminado na fase inicial pelo San Lorenzo, da Argentina) e também não ficar no “quase” como o Palmeiras (que perdeu na decisão para o Peñarol, do Uruguai) na edição anterior, o elenco circulou pelo continente e teve 8 vitórias, 1 empate e 1 derrota diante de algumas das melhores equipes dos países visitados, entre elas o campeão argentino Racing, que foi goleado por 8 a 3.
A Taça Libertadores (que nasceu com o nome de Campeonato Sul-Americano de Clubes Campeões, depois foi rebatizada com o nome do troféu) teve sua primeira edição em 1960, e tinha (como tem até hoje) o objetivo de determinar o campeão sul-americano. Também tinha como objetivo inicial credenciar o clube campeão à disputa do Mundial Interclubes, que havia sido criado no mesmo ano numa parceria da FIFA com a CONMEBOL e a UEFA, que organizava desde 1955 a Copa dos Campeões Europeus (atualmente conhecida como Liga dos Campeões da Europa). A Libertadores foi criada nos mesmos moldes do campeonato europeu, envolvendo nas suas primeiras disputas apenas os campeões nacionais.
Na sua primeira edição, sete países foram representados, entre eles o campeão brasileiro de 1959, o Bahia. O campeão acabou sendo o uruguaio Peñarol. Na segunda edição, todos os nove países filiados tinham seus campeões inscritos no torneio, que foi vencido novamente pelo Peñarol, que venceu o Palmeiras na decisão.
A terceira edição da Taça Libertadores da América teve 10 participantes: eram os nove campeões nacionais do continente em 1961, além do campeão continental do mesmo ano, o Peñarol. Este já entrava nas semifinais, enquanto os demais clubes eram distribuídos em três grupos, cada um com três times. Os vencedores dos respectivos grupos se classificavam às demais vagas na fase semifinal. Nas semifinais e final, seguia-se o modelo que era reproduzido, inclusive, na Taça Brasil: eram disputados dois jogos, e quem somasse mais pontos se classificava (ou, no caso da final, era o campeão). Em caso de empate no número de pontos, era jogada uma partida de desempate em campo neutro. Caso esta partida terminasse sem vencedor, mesmo após a prorrogação, o primeiro critério de desempate era o saldo de gols.
Santos 3x0 Peñarol - 30.08.1962 123
Assim, o Santos entrou no Grupo 1, com o Deportivo Municipal, da Bolívia, e o Cerro Porteño, do Paraguai. Apenas 9 dias depois de jogar sua última partida pela excursão citada no primeiro parágrafo, o time brasileiro estreou vencendo na altitude de La Paz, por 4×3, e na rodada seguinte despachou os bolivianos com um 6×1. Ao enfrentar o campeão paraguaio, o Alvinegro teve dificuldades no jogo disputado em Assunção, que terminou empatado. Porém, na Vila Belmiro, o Santos dependia de um empate para se classificar, mas deu um show e conseguiu aquela que é sua maior goleada em um campeonato internacional: um sonoro 9×1, que até hoje aparece no top 5 das maiores goleadas da Copa Libertadores.
san x univ1Nas semifinais, um duelo difícil contra a base do futebol Chileno, então vice-campeão do mundo. No primeiro jogo disputado em Santiago (Chile), Santos e Universidad Católica ficaram no 1 a 1, o gol santista foi marcado pelo curinga Lima. No jogo de volta, muita disposição das duas equipes, que lutaram bravamente buscando a vitória, até que o capitão Zito marcou o tento solitário que levou o clube da Baixada Santista à final.
O adversário do Peixe era o Campeão Mundial de 1961, um time das cores amarela e preta, que havia simplesmente vencido as duas edições do certame continental disputadas até então e na terceira edição chegava à terceira final invicto: era o Club Atlético Peñarol, outro esquadrão extraordinário que naquela época foi um dos maiores do mundo.

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santospenarolNo primeiro jogo, que aconteceu em 28 de julho, o Peixe não tinha Pelé, machucado. Mesmo com o estádio Centenário repleto de fanáticos torcedores do Peñarol, o Santos não se intimidou e venceu de virada (3×2) com dois gols de Coutinho.
A contagem foi aberta aos 6 min: Zito, arrancou pelo meio do campo em direção a área contraria e, vendo Coutinho bem colocado, passou-lhe a bola. O gênio da área deu sequência a jogada atirando rasteiramente contra a meta de Maidana e abrindo o placar. No segundo tento, faltando um minuto para o fim da primeira etapa: depois de receber a bola numa troca de passes com Dorval e Pagão, Coutinho desloca o goleiro uruguaio e aumenta a vantagem santista. O Peñarol diminuiria no segundo tempo, terminando assim a peleja.

12081410_908931695865200_1793031125_nNo jogo de volta, cinco dias depois, o Santos tinha o famoso Alçapão da Vila a seu favor, mas saiu atrás com um gol do equatoriano Spencer, na sequencia virou ainda no 1º tempo com Dorval e Mengálvio. Porém, no 2º tempo, o time uruguaio iniciou uma reação impressionante e aos 6 minutos já estava 3×2 para os aurinegros.
O terceiro gol do Peñarol provocou reações hostis da torcida santista e, temerosos com a segurança, a arbitragem preferiu manter a partida em disputa até o fim do jogo, mas na prática já não valia mais nada. Pagão ainda havia feito o gol de empate aos 32′, e o resultado dava o título ao Santos, com muita festa dos adeptos alvinegros e volta olímpica dos jogadores. Porém as coisas não acabaram por aí. Dois dias depois, foi divulgado que o jogo havia durado 51 minutos apenas, e que o Peñarol, portanto, seria o vencedor da partida.

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Não restou outra opção ao Santos, a não ser mostra com total supremacia quem era o melhor time da América do Sul: no histórico 30 de agosto de 1962, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, o Santos massacrou o adversário sem piedade e destruiu os sonhos do tricampeonato do Peñarol. Logo aos 11 minutos de bola rolando, Coutinho bateu cruzado e o defensor Caetano completa contra a própria meta. No segundo tempo, o recuperado Edson Arantes do Nascimento completou o espetáculo, marcando um golaço: com chute forte e preciso, aumentando a vantagem santista logo aos quatro minutos. No finalzinho, o mesmo Pelé recebe passe de Coutinho, mata no peito e chuta com força para fechar o placar. O Santos FC era pela primeira vez campeão da Copa Libertadores da América e se tornava o primeiro clube brasileiro a conquistar a Competição Sul-Americana.
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Assim o Santos se tornou pela primeira vez campeão da Copa Libertadores da América. Num encontro entre dois dos maiores esquadrões de todos os tempos, o time do glorioso manto branco levou a melhor, reforçando a crescente boa fama do futebol brasileiro, que vivia seus anos de ouro. O título Sul-Americano garantiu ao Alvinegro Praiano uma vaga contra o Campeão Europeu na disputa do Mundial Interclubes. Outro destaque do Peixe foi Coutinho, que acabou como artilheiro do campeonato, balançando as redes 6 vezes. Esta edição da Taça Libertadores foi a que teve a maior média de gols da história: 4,12 (107 gols em 26 jogos), sendo que o Santos contribuiu com 29 (27,1% do total), conseguindo uma média de 3,22 bolas na rede a cada partida jogada. A competição também teve, a maior goleada aplicada por um clube brasileiro e uma das maiores da história: Santos FC 9 a 1 Cerro Porteño/PAR.

Fontes e Referências:
www.rsssf.com;
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Jornal Folha de São Paulo;
Revista Conmebol;

3 Responses to Descobridor da América!

  1. Lucca Aguiar says:

    O Ano em que o Santos FC ganhou absolutamente tudo que disputou! Bater grandes times assim, tradicionais do futebol só mesmo o SFC! Gostaria de saber, porque o Santos FC não disputou as Libertadores de 66, 67, 68 e 69?

  2. RUBENS MACIEL DE OLIVEIRA says:

    EU ESTAVA NESTE JOGO, ESTE JOGO COMEÇOU NUM DIA E ACABOU NO OUTRO, FICOU CONHECIDO COMO O JOGO DAS GARRAFADAS, O JUIZ CARLOS ROBLES

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