Pepe – 1954-1969

Published On 16/03/2014 | Ex-Atletas, Ídolos
Por Gabriel Santana
Santos, 16/03/2014
Atualizado, 25/02/2016

José Macia, o Pepe, foi um dos melhores jogadores da história do futebol.
Nascido no dia 25 de fevereiro de 1935, em Santos, e descendente de família espanhola, herdou o mesmo nome de seu pai, José Macia, devido a um erro do escrivão. O nome do eterno camisa 11, seria “José Macia Filho”.
A família Macia desembarcou em Santos na década de 30, e seus pais, imigrantes espanhóis, se conhecerem em solo santista.
Desde pequeno mostrava sua aptidão para o futebol. Sempre preferiu a bola, deixando de lado o pião e os carrinhos.
Em 1951, por intermédio do goleiro Cobrinha, companheiro de Pepe no amador do São Vicente, foi levado a Vila Belmiro, e não saiu mais.
Já mostrava o seu diferencial nas categorias inferiores, e com pouco tempo de clube, já havia conquistado diversos títulos em todos os patamares, antes de subir ao profissional.
Na temporada de 1954, teve sua primeira chance na equipe principal. Retornou para o juvenil no fim do mesmo ano, porem, no ano seguinte, firmou-se de vez entre os profissionais.
Já em 1955, fixa-se como titular da equipe, e como cobrador oficial de faltas e pênaltis.
No mesmo, conquista seu 1º Título como profissional, o Campeonato Paulista. Foi dele o gol da vitória e consequentemente do titulo, na última rodada do certame.
Pepe se acostumou a rotina de títulos. Praticamente todo ano, soltava o grito de Campeão.
Destacando-se no Santos, virou figurinha carimbada nas convocações da Seleção Brasileira, e teve a honra de ser convocado para duas Copas do Mundo. Titular da ponta-esquerda, infelizmente não pôde disputar nenhuma partida, tanto em 1958 como em 1962, devido a uma grave lesão.
Constantemente, recebia inúmeras propostas milionárias de clubes europeus. Nunca titubeou, e sempre mostrou um grande apreço e amor pelo clube que o revelou.
Um dos seus principais jogos com a camisa santista, foi realizado diante do Milan, no 2º jogo da grande final do Mundial Interclubes de 1963. Marcou dois lindos gols de falta, proporcionando o empate contra a equipe italiana. Minutos depois, o Santos virou o jogo, provocando uma 3º final, e consequentemente, o 2º Título Mundial.
Foi titular absoluto da ponta esquerda até 1965, quando chegou aos 30 anos. A partir desse ano, começou a reversar a titularidade com o jovem Abel, e no ano seguinte surgiria Edu.
Como jogador, conquistou 25 títulos oficiais com a camisa santista.
É o maior vencedor de Campeonatos Paulistas, com 13 títulos conquistados (11 como jogador do Santos, 1 como técnico do Santos e 1 como técnico da Internacional de Limeira), e também é o maior vencedor de Campeonatos Brasileiros com 7 títulos conquistados (6 como jogador do Santos e 1 como técnico do São Paulo).
Recebeu o apelido e Canhão da Vila pela potência que tinha o seu chute. Até hoje é o atleta de chute mais potente que passou pela Vila Belmiro.
É um dos jogadores mais identificados com o clube, e desde sempre, mostrou o amor e a satisfação em defender as cores santistas. Criou um caderno de súmulas, e por conta própria, anotava todos os seus jogos e gols pelo Santos. E isso desde os jogos do infantil, em 1951. Com estatísticas sensacionais, criou uma especie de Almanaque próprio, de sua carreira dentro do Santos.
Disciplinado ao extremo, Pepe jamais foi expulso de campo, e por isso, recebeu o troféu Belfort Duarte.
Após se aposentar, foi trabalhar nas categorias de base do Alvinegro. Passou a auxiliar técnico, e no ano de 1972, assumiu o comando técnico do Peixe.
Em 1973, dirige o Alvinegro e conquista o Título Paulista, o seu primeiro como treinador, e o último da carreira de Pelé. Teve 5 passagens pelo Santos como técnico, e com isso, dirigiu o Alvinegro em 371 partidas, sendo o 3º que mais comandou a equipe praiana.
Um dos raros exemplos de jogador que fez toda a carreira em um único time, Pepe dedicou 15 anos de sua vida á equipe profissional do Santos.
Escreveu o livro “Bombas de Alegria, Meio século de Memórias do Canhão da Vila”, onde nos presenteou com suas melhores histórias dentro do futebol. E em 2015, foi lançado sua biografia, escrita por sua filha, Gisa Macia.
Pepe viveu, e vive até hoje em Santos, e seus laços com o Santos Futebol Clube serão eternos. Podemos afirmar que em suas veias, além do sangue espanhol, certamente o sangue santista também vive. Um caso de amor eterno, um verdadeiro exemplo de ídolo e de gratidão.
“Um a zero gol de San Filipo, e aquela galera toda vibrando, o estádio quase vindo abaixo. O campo era ruim, o adversário era forte e jogava duro. Tudo estava contra. Só que tinha uma coisa: era o Santos que estava do outro lado.” José Macia Pepe, o Canhão da Vila!

Jogos – 741
Gols403
Títulos, como jogador:
1955 – Campeonato Paulista
1956 – Campeonato Paulista, Torneio Internacional da FPF, Taça San-São e Taça dos Invictos
1958 – Campeonato Paulista
1959 – Torneio Rio-São Paulo, Troféu Teresa Herrera, Torneio de Valência, Torneio Pentagonal do México e Torneio Mario Echandi
1960 – Campeonato Paulista, Torneio de Paris e Troféu Giallorosso
1961 – Taça Brasil, Campeonato Paulista, Torneio Itália, Torneio de Paris, Triangular da Costa Rica e Pentagonal de Guadalajara
1962 – Taça Libertadores da América, Mundial Interclubes, Taça Brasil e Campeonato Paulista
1963 – Taça Libertadores da América, Mundial Interclubes, Taça Brasil e Torneio Rio-São Paulo
1964 – Campeonato Paulista, Taça Brasil e Torneio Rio-São Paulo
1965 – Campeonato Paulista, Taça Brasil, Quadrangular de Buenos Aires, Torneio 4º Centenário de Caracas e Hexagonal do Chile
1966 – Torneio Rio-São Paulo
1967 – Campeonato Paulista e Torneio Triangular Florença-Roma
1968 – Campeonato Paulista, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Pentagonal de Buenos Aires e Torneio da Amazônia
1969 – Campeonato Paulista
Títulos, como treinador, dirigindo o Santos:
1973 – Campeonato Paulista

Fichas Técnicas:
23/05/1954 – Santos 1 x 2 Fluminense
Gols: Vasconcelos; Quincas [2]
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Competição: Torneio Rio-São Paulo
Renda: 149.245,00
Público: 8.505
Árbitro: Rimel Latorre
Santos: Barbosinha; Hélvio e Feijó; Urubatão, Formiga e Zito; Tite, Valter, Álvaro (Hugo), Vasconcelos e Del Vecchio (Boca)(Pepe).Técnico: Giuseppe Ottina
Fluminense: Adalberto; Píndaro e Duque; Jair Santana, Edson e Lafaiete; Telê Santana, Villalobos, Valdo, Robson e Quincas. Técnico: Gradim
– Estréia pelo profissional do Santos
30/05/1954 – Santos 0 x 0 Guarani
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso
Renda: Cr$ 24.010,00
Árbitro: Antonio Musitano
Santos: Manga; Hélvio e Feijó; Urubatão (Cássio), Formiga e Pascoal; Nicácio, Leal, Álvaro (Hugo), Vasconcelos e Pepe (Carlinhos). Técnico: Giuseppe Ottina
Guarani: Dirceu; Herbert e Manduco; James, Bode e Saraiva; Araraquara (Augusto), Renato (Nonô), Piolim, Romeu e Ismar.
– Primeira partida como titular
13/03/1955 – Juventus 4 x 2 Santos
Gols: Pepe e Urubatão; Orlando, Nicolau, Amorim e Bonfiglio.
Local: Estádio Rua Javari, em São Paulo.
Competição: Amistoso
Renda: Cr$ 8.000,00
Árbitro: Pedro Calil
Juventus: Oberdan; Diógenes e Mendonça; Bonfiglio (Nésio), Riogo (Osvaldo) e Nicolau; Bernardi, Marucci, Amorim, Tito e Orlando.
Santos: Barbosinha; Cássio e Feijó; Pascoal, Gueguê e Urubatão; Carlinhos, Leal (Aracajú), Alemão, Guimarães e Pepe. Técnico: Lula
– Primeiro gol pelo Santos
15/01/1956 – Santos 2 x 1 Taubaté
Gols: Álvaro aos 15min do primeiro tempo; Berto aos 10min e Pepe aos 20min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Campeonato Paulista de 1955
Renda: Cr$ 350.670,00
Árbitro: João Etzel
Santos: Manga; Hélvio e Feijó; Ramiro, Formiga e Urubatão; Tite, Álvaro, Del Vecchio, Negri e Pepe.
Taubaté: Floriano; Rubens e Porunga; Arati, Manduco e Zé Américo; Silvio, Berto, Durval, Taino e Helio
– Aos 20 anos, Pepe marca o gol do título do Campeonato Paulista de 1955.
06/03/1958 – Palmeiras 6 x 7 Santos
Gols: Urias aos 20min, Pelé aos 21min, Pagão aos 25min, Nardo aos 26min, Dorval aos 32min, Pepe aos 38min e Pagão aos 44min do primeiro tempo; Paulinho aos 16min, Mazzola aos 19min e aos 27min, Urias aos 34min e Pepe aos 40min e aos 42min do segundo tempo.
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Competição: Torneio Rio-São Paulo de 1958
Público: 43.068
Renda: Cr$ 1.676.995,00
Árbitro: João Etzel Filho
Santos: Manga; Hélvio e Dalmo; Ramiro (Urubatão), Fioti e Zito; Dorval, Jair Rosa Pinto, Pagão (Afonsinho), Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Palmeiras: Edgard (Vitor); Waldemar Carabina e Édson; Formiga (Maurinho), Valdemar de Fiúme e Dema; Paulinho, Nardo (Caraballo), Mazzola, Ivan e Urias.
Técnico: Oswaldo Brandão
– Em um dos maiores jogos da história, deixou a sua marca três vezes.
30/11/1960 – Santos 6 x 1 Corinthians
Gols: Pepe aos 18min e Sormani aos 25min do primeiro tempo; Pelé aos 6min, Lopes aos 14min, Coutinho aos 17min, e Pepe aos 29min e aos 37min do segundo tempo.
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Competição: Campeonato Paulista
Público: estimado em 24.400 (calculado pelo valor médio dos ingressos)
Renda: Cr$ 3.035.650,00
Árbitro: Olten Ayres de Abreu
Santos: Laércio; Dalmo, Mauro e Zé Carlos; Calvet e Zito; Sormani, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Corinthians: Cabeção; Egidio, Olavo e Ari; Roberto e Oreco; Bataglia, Luizinho, Almir (Lopes), Rafael e Joaquinzinho.
– Três gols de Pepe numa goleada arrasadora sobre o Corinthians.
14/11/1963 – Santos 4 x 2 Milan
Gols: Mazzola aos 12min e Mora aos 17min do primeiro tempo; Pepe aos 5min e aos 22min, Mengálvio aos 9min e Lima aos 18min do segundo tempo.
Local: Estádio Maracanã, no Rio de Janeiro.
Competição: Mundial Interclubes
Público: 132.728 pagantes (150.000 pessoas)
Renda: Cr$ 98.065.000,00
Árbitro: Juan Brozzi (Argentina)
Santos: Gilmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula
Milan: Ghezzi; Davi, Maldini e Trebi; Trapattoni e Pelagalli; Mora, Lodetti, Rivera, Mazzola e Amarildo.Técnico: Luis Carniglia
– Marcou dois gols na grande virada sobre o Milan.
19/03/1969 – Santos 2 x 1 América-SP
Gols: Edu aos 20min e aos 26moin do primeiro tempo; Cabinho aos 10min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Campeonato Paulista
Público: 10.117 pessoas
Árbitro: Wander Moreira
Santos: Laércio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Lima e Negreiros (Oberdan); Manoel Maria, Douglas (Pepe), Pelé e Edu. Técnico: Antoninho
América: Raul Marcel; Manoel, Adelson, John Paul e Ambrósio; Neguito e Raul; Alves, Cabinho, Miranda e Marco Aurélio. Técnico: Wilson Francisco Alves
– Ultima partida de Pepe com a camisa do Santos
03/05/1969 – Santos 0 x 1 Palmeiras
Gol: Copeu aos 15min do primeiro tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Campeonato Paulista
Renda: NCr$ 88.821,00
Público: 19.006 + 3.804 (22.810 total)
Árbitro: Roberto Goicochéa
Expulso: Carlos Alberto (SFC)
Santos: Cláudio; Carlos Alberto, Djalma Dias, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Joel Camargo; Manoel Maria, Douglas (Abel), Pelé e Edu. Técnico: Antoninho
Palmeiras: Leão; Eurico, Baldochi, Nélson e Dé; Dudu e Ademir da Guia; Copeu, Artime, Jaime (Minuca) e Serginho.
Técnico: Filpo Nuñez
– Pepe despediu-se de sua carreira profissional nesta partida. Antes do início do jogo, deu a volta olímpica no gramado, e recebeu diversas homenagens
Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos;
Almanaque do Santos;
Livro “100 anos, 100 jogos e 100 ídolos”;

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