Pra cima deles, Chulapa!

A decisão do Campeonato Paulista de 1984, começou antes mesmo de a bola rolar em campo. Durante toda semana, o clima era de final, a cidade só falava naquele clássico, como há muito tempo não acontecia no futebol paulista. O Santos tinha a vantagem de jogar pelo empate, havia feito 55 pontos, contra 54 do Corinthians, até então, chegaram à última rodada para decidirem aquele Campeonato.
“Bastava olhar para o rosto dos jogadores corinthianos: estavam se borrando de medo do nosso time. E tinham motivos. Aquele Santos era um time de malandro. Eu, Paulo Isidoro, Marcio Rossini, Dema… Que timaço! O jogo podia durar quinze dias que nunca perderíamos para o Corinthians. O elenco era unido demais. O que contribuía para isso? Dinheiro (risos) os bichos eram ótimos!” (Serginho Chulapa, atacante do Santos em 1984).
A festa que recepcionou aquele jogo, aquela decisão, aquele Santos x Corinthians, foi uma das mais bonitas da história do Campeonato Paulista. Eram 102 mil pessoas no estádio do Morumbi, estádio dividido, com as torcidas alçando bandeiras, papel picado, fogos e tudo que se tinha direito para uma decisão daquele porte. O jogo dentro de campo, também não foi diferente, os dois times travaram uma verdadeira guerra de alvinegros! Teve de tudo que se pode esperar em clássico: lances de perigo, emoção para os dois lados, polemicas, jogadas perigosas e a grande definição do campeonato.
O jogo foi muito pegado, desde o inicio. Santos e Corinthians travaram uma guerra em campo! Um jogo com muitos lances violentos, que começou com o Corinthians indo pra cima nos primeiros 20 minutos, com situações de perigo para a defesa santista. Logo no inicio da partida, Zenon entrou na área pela meia-direita e quando preparou para chutar para o gol, caiu pedindo pênalti. Mais não houve nada. O jogador recebeu cartão amarelo por simulação. Pouco tempo depois, o mesmo Zenon lançou o João Paulo pela ponta-esquerda, que driblou Rodolfo Rodrigues (goleiro do Santos), mais perdeu o ângulo no chute. Quando conseguiu fazer de novo o cruzamento, lá estava Rodolfo – que goleiraço! Fez a ponte e impediu a conclusão da jogada. O Santos também teve grandes oportunidades no primeiro tempo, primeiro com Marcio Rossini, que cabeceou com perigo para o gol, mais o goleiro Carlos, defendeu.  E aos 45 minutos, depois do escanteio, chute forte de Toninho Oliveira, ela bate na zaga e de dentro do gol, Edson salva de peito, em seguida, afastando o lance da defesa do Corinthians.
O ataque do Santos atormentava a defesa corinthiana. Serginho Chulapa, era o grande goleador do Santos em 84, por isso, foi marcado de perto pelos corinthianos Juninho (na caça) e Wagner (na cobertura). Havia também o ponta Zé Sergio, que atormentava o lateral Edson e criou uma das melhores jogadas de gol, para o Santos, no primeiro tempo. Começou driblando pela esquerda, cortou para o lado de dentro e disparou com um chute forte. O goleiro Carlos do Corinthians, espalmou para escanteio. Foi um jogo nervoso, para os dois times no primeiro tempo, ambos criaram chances de gol, mais a emoção maior viria no segundo tempo.
Serginho ChulapaNa etapa final, depois de alguns lances de muita emoção nas duas áreas. Primeiro com bonita jogada de Serginho, que concluiu pra fora, depois com Wagner que chutou forte para a defesa de Rodolfo Rodrigues. Foi então, que aos 27 minutos, Humberto foi à linha de fundo, pela esquerda da defesa corinthiana e cruzou rasteiro para a entrada de Serginho. Carlos falhou ao tentar cortar o cruzamento, Coube ao atacante Serginho Chulapa (artilheiro da competição), empurrar para as redes e sacramentar um Campeonato que foi todo do Santos. Após o gol, Serginho comemorou como nunca e falou em desabafo: “Somos os melhores, nos merecemos”! A torcida extrapolava os limites da arquibancada e contagiava cada um dos jogadores, tamanha era festa e empolgação. Depois do gol santista, foi desespero corinthiano, contra um Santos que desperdiçaria, mais uma chance para aumentar o placar, novamente nos pés de Serginho Chulapa, cara a cara com Carlos.
“No segundo tempo estávamos mais perto do caneco. O Corinthians veio desesperado, em busca do gol. Para nós, bastava administrar o resultado. O Humberto, nosso meia-esquerda lançou o Zé Sergio em velocidade. O Zé cortou para dentro, levando a marcação do Edson. Ai, o Humberto disparou em velocidade, fazendo o chamado overlaping, recebeu e cruzou forte e rasteiro. A bola cruzou toda área e chegou ao meu pé esquerdo. Só tive o trabalho de tocar para as redes, marcando o gol do título” (Serginho Chulapa, atacante do Santos em 1984).
A festa pela conquista foi muito grande, a emoção era enorme por parte de todos. Grande parte daquele time havia estado na decisão do Campeonato Brasileiro de 1983 (onde o Santos saiu derrotado), todos precisavam daquela conquista. O Santos realmente merecia o título, mostrou isso com seus extraordinários números durante a campanha.
A festa não parou no gramado, com o Santos FC chegando a cidade de Santos, escoltado pela policia militar, em um carro do corpo de bombeiros. Mais com a taça, que vinha junto ao elenco Campeão Paulista de 1984.
JOGOS E FICHAS TÉCNICAS
Campeonato Paulista, 1984 – 38 jogos, 22 vitórias, 13 empates, 03 derrotas.
FICHA TÉCNICA
02/12/1984 – Santos 1 x 0 Corinthians
Gol: Serginho aos 27min do segundo tempo.
Local: Estádio Morumbi, em São Paulo.
Público: 101.587 pagantes
Renda: Cr$ 419.323.500,00
Árbitro: José de Assis Aragão
Cartões amarelos: Márcio, Humberto, Lino e Mário Sergio; Zenon e Juninho
Santos: Rodolfo Rodriguez; Chiquinho, Márcio, Toninho Carlos e Toninho Oliveira (Gilberto); Dema, Paulo Isidoro, Humberto e Lino; Serginho Chulapa e Zé Sérgio (Mário Sérgio). Técnico: Carlos Castilho.
Corinthians: Carlos; Édson, Juninho, Wagner e Wladimir; Biro-Biro, Dunga, Arturzinho (Paulo César) e Zenon; Lima e João Paulo. Técnico: Jair Picerni

One Response to Pra cima deles, Chulapa!

  1. eduardo soares says:

    Aproveitando que esta página se trata do site oficial do clube, quero deixar aqui meu protesto e meu apelo: para que o Santos volte a pensar grande, largar essa mentalidade tacanha e provinciana. Pois como bem disse o redator do texto acima, foi uma festa bonita com acalorados 102 mil torcedores.
    O brilho de uma conquista está intrinsecamente relacionada com o palco, portanto, meus caros, vamos madar jogos importantes para o Morumbi ou Pacaembu!
    Por mais que vcs sejam originais de Santos, têm que admitir que o título de 2002 foi bem mais empolgante do que o de 2011 contra o mesmo adversário.

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