Primazia de Triunfos contra Campeões do Uruguai e Argentina – (1929-1930)

Published On 09/08/2017 | Feitos Históricos
Por Kadw Gomes
Santos, 09/08/2017

Há alguns anos o Santos assombrava o futebol paulista com seu jogo perfeccionista.

Dotando de um esquadrão avassalador, a equipe Alvinegra repercutia no Brasil como revolucionária pelo modelo ofensivo exercido. Entre 1926 a 28, principalmente 27, quando fez 100 tentos com recorde mundial de média, o Campeão da Técnica e da Disciplina (como alcunhou o Jornal O GLOBO) deixava a imagem de evolução no Brasil.
A situação parecia aprimorar ainda mais contra grandes adversários, tanto que a estreia em partidas internacionais no ano de 1929 foi com vitória: 1×0 sobre os argentinos.

Naquele época o Brasil havia vencido apenas dois campeonatos Sul-Americanos e vivia na sombra dos papões Uruguai e Argentina. Sem competições internacionais, comumente os esquadrões dos países rivais faziam giros, ao conseguir vitórias voltavam renomados e cheios de mérito como uma das melhores equipes no continente.

Por isso, o vice-campeão uruguaio Rampla Juniors, considerado o terceiro grande do Uruguai (na época o país mais bem sucedido do mundo no futebol) e que havia sido campeão nacional em 1927, veio ao Brasil coberto de pompas. Seus lides aumentaram quando em 16 de junho, venceram com propriedade o Palestra Itália por 2 a 0. Quem seria capaz de vencer um time cheio de jogadores uruguaios famosos?

Passados 11 dias da derrota palestrina, veio a resposta: “Palmas e vivas de todos os lados. As casas que ficam fronteiras ao campo do Santos têm gente até no telhado. As janelas estão apinhadas. A entrada é franca”, diziam os jornais. Em outra nota, completava a repercussão de valor: (…) “Um jogo internacional atrai sempre, grande concorrência, principalmente quando o quadro estrangeiro vem precedido de fama, como o do Rampla. Por isso o jogo de hoje, entre esse quadro e o do Santos, levou grande concorrência á Vila Belmiro, não escondendo o publico a sua ansiedade pelo começo do jogo.”

Lá estava o Santos de Athiê; Aristides e David; Osvaldo, Júlio e Alfredo; Siriri, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista para enfrentar o Rampla Juniors, um dos melhores times da América do Sul. Na partida, quando se imaginou uma luta duríssima veio o assombro: Feitiço, Sirirri, Araken (2) e Camarão dilatam as contas para o Santos, uma vitoria retumbante de 5 a 0. Nos jornais as manchetes: “O Santos infligiu ao Rampla Juniors a maior derrota das que o quadro uruguayo sofreu na sua longo da excursão”.

A façanha representou a primeira vitória santista contra um campeão nacional. O Santos seguiu com brilhantes apresentações fomentando sua fama em Feitos Internacionais de época, assim goleou por 4 a 1 o Atlético Tucumam. Naquele ano, porém, seu resultado mais importante foi a goleada sobre a Seleção Francesa, terceiro lugar na Copa de 30, com absurdos 6 a 1.

Mas em outra vitória também representou um feito histórico ao Santos. Quando aterrou no Brasil o principal clube da Argentina nos anos 20, expondo futebolistas de seleção como Pratto, Spósito, Ferreyra, Chiesa, entre outros, o Huracán representava o poderio argentino, na época país vice-campeão mundial.

Querendo provar ser uma das melhores equipes do mundo, como assim repercutiam os jornais (Globo, A Plateia, Mundo Esportivo, etc.), e torna-se o primeiro time brasileiro a vencer campeões do Uruguai e Argentina – os grandes rivais brasileiros -, o Santos com Athiê; Aristides e Meira; Osvaldo, Roberto e Alfredo; Omar, Camarão, Feitiço, Mário Seixas e Evangelista, fez uma escrita com técnica e disciplina ante o Huracán/ARG.

24 de julho de 1930, campo de Vila Belmiro, o time argentino dar o pontapé inicial. Com o passar do tempo ficou claro quem era melhor, o Santos alinhava perfeitamente, desempenha futebol de altissima técnica e fazia gols com naturalidade: Omar e Camarão assinalavam 2×0. O Huracán tinha valor e queria honrar a tradição de seu país, buscou reagir e diminuiu (com o ídolo Chiesa), a primeira fase terminou 2×1. Todavia, depois de alguns problemas no jogo e brigas, o Santos amassou a equipe argentina, Feitiço e Mario Seixas fecharam a peleja em 4 a 1.

Com as honras que lhe cabe, o Santos tornava-se o primeiro clube do Brasil a vencer campeões nacionais do Uruguai e Argentina, os grandes rivais brasileiros.

Fontes/Referencias:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Centro de Memória e Estatísticas do Santos FC (Guilherme Guarche);
Jornais A Plateia, A Tribuna, Mundo Esportivo, O Globo e Correio Paulistano.

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