Garimpo no futebol carioca!

Published On 09/10/2015 | Memória Santista
Por Kadw Gommes
Santos, 09/10/2015

Entre a década de 1940 e começo de 1950, existia na Vila Belmiro uma filosofia corriqueira dos cartolas santistas de buscar (garimpar) jogadores cariocas para jogar no Santos FC. Esse fato, é um tanto curioso e polêmico. Pois, apresenta duas versões as quais atestam os historiadores, torcedores da velha guarda e críticos de plantão, sobre a vinda desses atletas ao clube da baixada. No sentido, de que tal “pensamento da diretoria”, de trazer bons e (ou) craques do futebol do Rio de Janeiro (muitos já experientes), para atuar no Urbano Caldeira, possam ter afetado ou ajudado no crescimento do clube.
A reflexão ocorre, principalmente pela década de 1940, ser marcada como um período sem conquistas. Onde o clube, não conseguia brigar regulamente pelas primeiras colocações do Campeonato Paulista, com no máximo campanhas, não mais que regulares (entre a 5º e a 8º colocação), apesar de montar bons times. E justamente, nessa época, a filosofia de trazer jogadores cariocas era atuante no Alvinegro praiano. Somente, a partir de 1947/48, que o SFC começou a montar times mais fortes, buscando reforços de baixo custo e sem vender suas revelações. Mais, ainda com jogadores vindos do futebol carioca.
1948
Na opinião de alguns, os jogadores que foram garimpados no futebol carioca (casos de Manga, Hélvio, Ramiro, Urubatão, Pinhegas, Robertinho, Pascoal, Tite entre outros), para atuar no Santos antes de 1955, muitos de uma possível “parceria Santos/Fluminense”, foram importantes e deram certo e, que a filosofia dos cartolas santistas, de garimpar futebolistas cariocas foi, contudo, bem-sucedida. Na visão destes, serviram de sustentação para os garotos que vinham da base. Até por já serem calejados e experientes, eram “os donos do time” e davam tranquilidade, ajudando no crescimento e maturidade dos jovens que subiam ao time principal. Tanto, que os talentos iam surgindo sem pressão e, aos poucos, como Olavo, Alfredo Ramos, Cláudio, Odair e Antoninho, só para citar alguns ainda nos anos 40, como na sequência dos anos: com Del Vecchio e Pepe em 1954, Pelé em 56, Coutinho em 58, são alguns exemplos, – É inegável, que a longo prazo Manga, Hélvio, Ramiro e Tite, principalmente, não apenas corresponderam, como se transformaram em ídolos.
plinio MarcosOutros porem, divergem dessa opinião da bem-sucedido filosofia de buscar futebolistas no RJ, como o cronista Plínio Marcos, nas palavras dele: “O que pesa na balança é que naquele ano (referindo-se a 1948) começava a nascer no Alvinegro de lemanjá a solidariedade entre os onze da equipe. Coisa que não existia até então. Naquele tempo os cartolas do Santos de glórias mil tinha a mania besta de irem toda hora buscar refugo no Rio de Janeiro. E naquele tempo os refugos cariocas vinham enganar no Santos e não queriam nada. Era cada um pra si e que se danasse o time. Em 1948 começou a mudar. Apesar de ainda ter muito enganador, já havia no time algumas pratas da casa que, suando a camisa, dando o sangue, jogando para a equipe. Iam mudando a mentalidade na Vila Belmiro”. Como é descrito, ele chama os jogadores cariocas de refugo e de enganadores, e fala que eram na verdade boêmios de ego grande, e o time ficava cheio de estrelismo destes e, por isso, os resultados não apareciam. E que, contudo, não agregaram e não deram certo. E mais, essa mentalidade da cartolagem fez com que o SFC ficasse sem conquistas nos anos 40 devido a enganação dos desportistas cariocas, passando a ter uma mudança em 48, quando o clube voltou a estar nas cabeças do campeonato.
Contudo, se refugos enganadores ou sustentáculos aos garotos da base santista, o importante é que a partir de 1955, o Santos FC galgou e aspirou todas as glórias possíveis e inimagináveis – até então desconhecidas no brasil – e transformou-se num dos maiores do mundo. Mais é inegável, que as opiniões divergentes apresentadas, têm seus fundamentos.

Fontes e Referencias:
Almanaque do Santos FC (Guilherme Nascimento);
Revista Placar, Gazeta Esportiva;

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