Recital sem o Rei!

Published On 02/01/2017 | Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva
Santos, 02/01/2016 

Após vencer Racing e Peñarol atuando no Brasil no ano anterior, o Santos estava na liderança da Recopa Sul-Americana. Rumou para esta grande partida frente ao forte Racing com total entusiasmo e confiança de buscar a vitória, para se consolidar próximo a conquista deste importante torneio, que reunia somente as equipes que já haviam conquistado o planeta.
Mesmo com desfalque de nada menos que Pelé, com distensão na coxa esquerda, e sem Lima, com fratura na mão, Antoninho contava com um grande elenco que buscaria reeditar grandes apresentações santistas em terras portenhas desta vez enfrentando o Racing, que contava com jogadores renomados como o goleiro Cejas, o zagueiro Perfumo e o atacante brasileiro Silva, que atuou no Santos em 1967.

O JOGO
O Santos desde os primeiros momentos do encontro dominou as ações, mas atuava com sua defesa indecisa e o ataque prendendo muito a bola. Enquanto isto, o Racing jogava rápido, com o ponta esquerda Adorno fazendo o trabalho de um terceiro homem de meio de campo e confundindo muito Clodoaldo que acabava embolando com os zagueiros Ramos Delgado e Joel Camargo.
Logo, aos 10 minutos, o oportunista Silva recebeu bom passe de Salomone e marcou o primeiro gol, com raríssima falha de Ramos Delgado.
Empolgação para a torcida argentina, que seguiu vendo o Santos com controle da partida, com uma busca pelo jogo pelas extremas com a presença de Manoel Maria e Edu, que encaravam os laterais do Racing e quase sempre levaram vantagem.
Na zaga argentina sempre aparecia o grande defensor Perfumo, que conseguiu anular Toninho na primeira etapa, na qual terminou com vantagem do jogo tático e eficiente proporcionado pelo time de José Pizutti, onde conseguiu resistir ao Santos que sempre buscou através do toque de bola e jogadas de categoria que teimaram em não resultar em gol.

Os argentinos ficaram admirados com a atuação santista (Foto/Jornal El Gráfico)

SEGUNDO TEMPO
O time santista retornou decidido a buscar a vitória na segunda etapa, com o ataque jogando em belos passes de primeira.
Logo aos 2 minutos, o jovem Douglas numa jogada de habilidade se desvencilhou na entrada da área de dois marcadores argentinos e encontrou o artilheiro Toninho que em apenas um toque conseguiu finalizar com maestria fora do alcance de Cejas para empatar a partida.
O Santos seguiu atuando ofensivamente, e com toques rápidos e intensa movimentação de seus jogadores conseguiu numa sequência de passes que envolveu a defesa do Racing criar uma jogada que caiu nos pés do exímio finalizador Toninho, que num potente e certeiro chute colocou o Alvinegro em vantagem no marcador, aos 7 minutos, virando o jogo para 2×1.
O Santos com amplo domínio sobre o time argentino, conseguiu criar outras oportunidades para ampliar sua vantagem, com ótima distribuição de jogo por parte de Clodoaldo e Negreiros, além da ótima partida realizada por Douglas que substituiu muito bem a Pelé.
Na parte defensiva se destacaram o constante vai e vém de Carlos Alberto e a maturidade de Ramos Delgado que ao lado de Joel Camargo dominaram as investidas de Cárdenas e Silva na maior parte do tempo.
Aos 39 minutos, o experiente meio campista Rulli foi expulso e deixou o time santista com vantagem numérica e fez todos acreditarem que estava sacramentada a vitória do Santos.
Mas o Racing não desistiu de buscar o empate, o árbitro paraguaio Peña Rocha assinalou falta na entrada da área do Santos, aos 42 minutos, para cobrança seguiu o brasileiro Silva que num chute forte e com curva venceu a barreira santista e não deu chances para Cláudio e empatou novamente o confronto.
Mas para fazer justiça ao ótimo futebol apresentado pelos comandados de Antoninho, com apenas um minuto após o empate do Racing veio o gol mais bonito da noite marcado por Negreiros, numa jogada individual onde venceu Perfumo e avançou para finalizar diante de Cejas e esfriar completamente a empolgação argentina em Avellaneda.
Nos últimos instantes deste emocionante jogo, Negreiros que havia realizado o gol derradeiro foi expulso e Lamelza teve a oportunidade de novamente empatar a partida, mas Cláudio garantiu o triunfo numa defesa salvadora que garantiu ao Santos uma magnífica vitória.
As equipes saíram aplaudidas pelo bom público que apoiou “La Academia”, que além de assistir cinco gols, pode assistir uma partida onde tanto o time de camisas brancas e o de alviceleste se preocuparam apenas em jogar futebol, com grande técnica de uma equipe que mesmo desfalcada de Pelé, fez a imprensa argentina se perguntar se esse “Novo Santos” de Clodoaldo, Negreiros, Douglas e Manoel Maria era superior ao Santos de Gylmar, Mauro, Zito e Pepe.
A tradicional revista argentina El Gráfico respondeu: “Ambas equipes eram o Santos, que jogava com alegria, convicção, mistério, entrega e se preocupava em jogar e jogar por música”. Os jornalistas também reconheceram o esforço e dignidade que o time local conseguiu impor durante o confronto.
O Santos com esta vitória se aproximou da conquista da Recopa Sul-Americana, partiria para Montevidéu onde, daqui três dias, enfrentaria o poderoso Peñarol, numa partida que apenas o empate já garantiria mais uma importante taça na Vila Belmiro e levaria o Alvinegro para a disputa da Recopa Mundial, contra o vencedor da Recopa Europeia.

Ramos Delgado garantiu na defesa. Toninho garantiu no ataque (Foto/Jornal El Gráfico)


Ficha Técnica:
16/04/1969 – Racing-ARG 2 x 3 Santos
Gols: Silva aos 10min do primeiro tempo; Toninho aos 2min e 7min, Silva aos 42min e Negreiros aos 43min do segundo tempo
Local: Estádio Presidente Perón, em Avellaneda, Argentina
Competição: Recopa Sul-Americana 68/69
Renda: 4.961,20 peosos
Público: 40.000
Árbitro: Peña Rocha (Paraguai)
Expulsos: Negreiros (SFC) e Rulli (RC)
SFC: Cláudio; Carlos Alberto, Ramos Delgado, Joel Camargo e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Manoel Maria, Toninho, Douglas e Edu. Técnico: Antoninho
RC: Cejas; Raúl Cardozo, Perfumo, Basile e Cabay; Cominelli (Wolff) e Rulli; Cárdenas (Lamelza), Silva, Salomone e Adorno. Técnico: Juan José Pizutti

Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;
Almanaque do Santos FC;

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