Santos de Pelé x Palmeiras de Ademir da Guia (1964-1965)

Published On 04/11/2015 | Clássicos e Rivalidades
Por Kadw Gommes
Santos, 04/11/2015

O Clássico da Saudade, confronto entre Santos x Palmeiras, é um dos jogos mais ricos da história do futebol nacional. Principalmente, porque num determinado período da história, época dos anos dourados e que as duas equipes fizeram duelos surpreendentes, com seus esquadrões extraordinários e um conjunto fabuloso de craques, comandados por seus maiores ídolos, e agregaram ao futebol paulista e brasileiro um dos maiores espetáculos de todos os tempos.
Na década de 1960, já tinham ocorridos, inúmeros duelos pelo Campeonato Paulista entre Santos e Palmeiras, porem faltava ambos se enfrentarem por uma competição nacional. Isso, passou a ser possível em 1959, quando então passou a ocorrer o Campeonato Brasileiro. Nessa época, vale destacar a Academia de futebol Palmeirense, comandado pelos craques Djalma Santos, Dudu, Julinho Botelho e principalmente Ademir da Guia, equipe extraordinária que conquistou naquele período os Campeonatos Paulistas de 1963 e 1966, o Torneio Rio-São Paulo de 1965 e, sobretudo, o Campeonato Brasileiro de 1960. Mais, este time, assim como outros esquadrões teve a infelicidade de ter pela frente o Santos de Gilmar, Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Orlando Peçanha, Lima, Zito, Mengálvio, Toninho Guerreiro, Coutinho, Pelé, Pepe e tantos outros craques. Um esquadrão multicampeão!
Devido a qualidade de ambos os quadros, e pelo Palmeiras ser um dos poucos times a impedir títulos do Santos na época, não é necessário dizer que a rivalidade era muito grande a cada duelo entre os dois no período. A qualidade desses embates imperava a técnica do futebol clássico, e com isso, foram partidas eternas que agregaram a história do clássico. O primeiro grande encontro, entre Santos e Palmeiras na década de 1960, em Campeonatos Brasileiro (Taça Brasil), ocorreu em 1964, e o segundo duelo em 1965, nos dois compromissos, as partidas foram válidas pelas semifinais da competição:

Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1964

1 jogo1No primeiro confronto decisivo, realizado no dia 4 de novembro daquele ano, o Santos venceu o rival Alviverde por 3 a 2 no estádio Pacaembu/SP.
O jogo começou a todo vapor, e logo no início a arbitragem deixa de marcar pênalti claro em Pelé, depois o Palmeiras desperdiça um pênalti, até que SFC abriu a contagem com Coutinho, aproveitando jogado de Pepe e bobeada da zaga palmeirense, apenas empurrou para as redes. O Alvinegro foi para cima do alviverde com ímpeto, e logo marcou o segundo gol santista: Zito toca para Pepe que passa por Djalma Dias e atira violentamente as redes, aumentando a vantagem. O Palmeiras então diminuiu ameaçando uma reação, mais Pelé esfria os ânimos aumentou de pênalti. O Alviverde corre atrás do resultado e ainda diminui com Ademir da Guia no fim.
04/11/1964 – Santos 3 x 2 Palmeiras
Gols: Coutinho, Pelé e Pepe; Ademir da Guia e Gildo
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Público: calculado em 25.000
Renda: Cr$ 19.117.800,00
Árbitro: Armando Marques
Santos: Gylmar; Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Toninho, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Palmeiras: Picasso; Djalma Santos, Djalma Dias e Ferrari; Zequinha e Tarciso; Julinho (Ademar Pantera), Servílio, Tupãzinho, Ademir da Guaia e Gildo. Técnico: Mário Travaglini
2 jogo1Na partida de volta, no mesmo estádio do Pacaembu/SP, novamente ocorre outra vitória santista, e dessa vez por contundentes 4 a 0, com muita disposição dos santistas, frente a um Palmeiras inteiramente batido e dominado.
O confronto mostrou um domínio pleno por parte do Alvinegro, mesmo abrindo o placar somente no segundo tempo, aos 11min com Pepe, que recolheu de Peixinho e atirou forte para marcar. Aos 25min, ocorre o segundo tento santista: Pepe cobrou escanteio e Coutinho de cabeça aumentou. Não demorou muito, e aos 30min, Zito deu passe a Pepe, que infiltrou-se na área vencendo a marcação e com chute forte e preciso aumentou a vantagem marcando seu segundo gol. O 4º gol santista ocorreu dois minutos depois, e saiu numa jogada de raça de Pelé, que mesmo marcado de maneira faltosa tocou para Peixinho, livre, guardar mais um tento. Com o triunfo o Santos estava classificado para a grande decisão contra o CR Flamengo.
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10/11/1964 – Palmeiras 0 x 4 Santos
Gols: Pepe aos 11min e aos 30min, Coutinho aos 25min e Peixinho aos 32min do segundo tempo.
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Público: calculado em 29.000
Renda: Cr$ 21.999.600,00
Árbitro: Armando Marques
Expulsão: Ferrari
Santos: Gylmar; Ismael, Mauro, Lima e Geraldino; Zito e Mengálvio; Peixinho, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Palmeiras: Picasso; Djalma Santos, Djalma Dias e Ferrari; Zequinha e Tarciso; Gildo, Dudu, Tupãzinho, Servílio e Rinaldo (Ademar Pantera). Técnico: Filpo Nuñez

Semifinal do Campeonato Brasileiro de 1965

1 jogo1Em 1965, pelo segundo ano seguido, o Santos enfrenta pelas semifinais do Campeonato Brasileiro (Taça Brasil), a Academia do Palmeiras, numa partida tratada como a revanche por parte do alviverde. No primeiro encontro, as equipes defrontaram-se dia 3 de novembro, no estádio do Pacaembu/SP e o Santos obteve uma grande vitória de virada por 4 a 2 diante do Alviverde.
O Palmeiras até começou a partida com mais volume de jogo, buscando a revanche e abrindo o placar rapidamente, mais o Santos aos poucos equilibrou o duelo e sendo mais objetivo nos arremates, termino o primeiro tempo em vantagem com gols de Toninho, com bastante oportunismo e Abel, após triangulação com os companheiros. A partida retomou-se na segunda etapa com o Palmeiras indo para cima, conseguindo novo empate, mais depois disso, seguiu-se com total domínio do Santos que com mais dois gols de Toninho: no primeiro tento, mesmo com a forte marcação conseguiu se livrar e chutar firme no canto e, logo depois, após um drible de corpo no marcador arrematou fazendo o 4º gol, seu terceiro no duelo, e assegurou a vantagem do empate na volta.
Toninho o guerra
03/11/1965 – Santos 4 x 2 Palmeiras
Gols: Toninho [3] e Abel; Ademar Pantera e Rinaldo
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Público: 29.385
Renda: Cr$ 45.029.500,00
Árbitro: Airton Vieira de Morais
Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Toninho, Pelé e Abel. Técnico: Lula
Palmeiras: Donáh; Djalma Santos, Djalma Dias, Procópio (Valdemar Carabina) e Ferrari; Zequinha e Dudu; Dario, Servílio, Ademar Pantera e Rinaldo.Técnico: Mário Travaglini
2 jogo1Em 1959, Oswaldo Brandão falou a celebre frase: “”Estamos fadados a enfrentar esse time do Santos pelos próximos cinco anos”. Sábio das palavras, em 1965 já não era mais técnico do Alviverde, mais lá estava o Palmeiras 6 anos depois, tendo a infelicidade de enfrentar e ser eliminado novamente pelo Santos.
No segundo duelo entre os paulistas, dia 10 de novembro no mesmo Pacaembu/SP, apesar de muita luta a partida terminou sem surpresas, com o Santos abrindo o placar com Pelé e terminando com a vantagem no primeiro tempo; depois o Palmeiras até tentou, mais ao fim terminava com as equipes empatadas em 1 a 1 e com isso, o Santos acabou qualificando-se para a sua quinta decisão consecutiva de Taça Brasil, dessa vez as finais seriam contra o Vasco da Gama/RJ.
10/11/1965 – Palmeiras 1 x 1 Santos
Gols: Pelé aos 6min do primeiro tempo; Ademar aos 21min do segundo tempo.
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Público: 26.846
Renda: Cr$ 42.483.000,00
Árbitro: Aírton Vieira de Morais
Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Lima e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Del Vecchio) Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Palmeiras: Donáh; Djalma Santos, Djalma Dias, Valdemar Carabina e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho (Ademar Pantera), Servílo, Dario e Rinaldo. Técnico: Mário Travaglini

Fontes e Referências:
Jornal Folha de São Paulo;
Almanaque do Santos, de Guilherme Nascimento;

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