SFC – Amadorismo e Inicio da profissionalização 1912 a 1950!

Published On 09/03/2015 | A história do clube
Por Kadw Gommes
Santos, em 09/03/2015

No futebol o crescimento de um clube é um processo que ao longo do percurso enfrenta variantes etapas políticas, estruturais e de organização interna. Até uma estabilização concreta o fortalecimento pode ser demorado. O próprio futebol brasileiro foi assim em seu transcurso até se estabelecer como potência no futebol mundial (1958-1970). O mesmo também se sucedeu com a trajetória do Santos FC. Numa primeira etapa (1912-1950), é importante perceber e ressaltar a evolução histórica, força e a estruturação ao longo do amadorismo e início da profissionalização do futebol. Desde os primórdios, o Santos FC demonstrou com seus atletas legitimável filosofia e legado futebolístico: com o DNA ofensivo e a técnica disciplinada. Foram construídos patrimônios importantes (como o estádio de Vila Belmiro em 1916) e foi notório contribuições ao esporte/social (como a integração de atletas negros em 1913).
Foram épocas desenvoltas onde surgiram os primeiros craques e ídolos da história do clube, além de grandes times. Formou-se um esquadrão histórico (1927/29), gerações de impacto (1916/19, 1926/31, 1935 e 1948/50), a equipe aspirou conquistas (como o Paulista de 1935) e promoveu grandes campanhas. Percebe-se também, uma fase em que, se estabeleceu pioneirismo e recordes significativos. Além disso, o clube recebeu alcunhas consideráveis e contribuiu ativamente para o desenvolvimento do futebol paulista e brasileiro em suas fases primarias. Em contraste aos feitos primordiais, a história mostra que, sempre foi um pouco mais dificultoso para o Santos FC seu triunfalismo, eminente brecado por fatores extracampo. Entretanto, logo se tornou a principal força da cidade de Santos, vencendo os campeonatos locais. Depois disso, galgou a busca intensiva de seu crescimento intangível (regional, nacional, continental e global) para então, ter status de um dos maiores clubes do mundo.
Nessa fase da história santista, compreende-se o desenvolvimento, estabilização e estruturação através dos fatos relevantes do período destacado: 1912 a 1950.

A NOBREZA DESDE O NASCIMENTO

O Santos FC já nasceu nobre no futebol. Tinha como influência o poderoso SC Americano originário de Santos, que foi Bicampeão Paulista (1912/13). Foi também, o primeiro time brasileiro a jogar no exterior (Uruguai) e a contratar jogadores estrangeiros, possuindo atletas uruguaios. Por ter essa influência, o SFC teve o prestigio de participar do Campeonato Paulista em 1913, sem passar por nenhuma seletiva (espécie de 2º divisão contra times de várzea), como o Alvinegro da capital. Assim, o clube já nasceu nobre, disputando a Liga Paulista (uma das mais fortes do país), com apenas um ano de vida.
=> Genealogia e Fundação do Clube (1912)

COMBATE AO RACISMO:
INTEGRAÇÃO DE ATLETAS NEGROS.

Como em todo e qualquer processo implantado na história, o futebol é evolutivo e causa importantes impactos num meio social. Assim, em 1913, mesmo não sendo mais escravos de direito, com a Lei Áurea sancionada, os negros eram de classes sociais inferiores, e não tinham as mesmas condições das pessoas de cores brancas.
Nesse contexto, o futebol nasceu elitista, um esporte para as classes oligarcas que não admitiam a presença de setores populares na prática esportiva, ou seja, não permitiam que negros participassem dos clubes e jogos. Com isso, perceba que além do lado esportivo, se destaca o lado humanitário/solidário da história santista, com as primeiras contribuições a sociedade global através do esporte.
Estas ações, também causam impacto no futebol e dependem num processo evolutivo do contexto histórico. A pratica de negros nesse esporte, permitiu que atletas como Pelé e Garrincha, tempos depois pudessem desenvolver e popularizar o futebol. O Santos FC, foi um clube que logo nos primeiros anos de vida, em 1913, buscou combater o racismo e promover a integração racial, jogando em prol disso (como no amistoso vencido por 5×0 diante do São Vicente AC, em comemoração aos 25 anos da abolição da escravatura) e integrando atletas negros (e pardos) a sua equipe principal (como Milton de Lima, Esmeraldo e Anacleto Ferramenta).
=> Pioneiro no combate ao preconceito e ao racismo (1913)

PONTE INTERNACIONAL DO CLUBE BRASILEIRO MAIS CONHECIDO NO EXTERIOR

Nas décadas de 1960/70 o clube se tornaria o embaixador do futebol brasileiro e um dos mais conhecidos do mundo. Bem antes disso porém, ocorreu a primeira ponte de ligação internacional através de seu craque. O Santos FC foi o primeiro clube brasileiro a possuir um de seus jogadores (Ary Patusca) Campeão no exterior. Ocorreu pelo FC Bhrul da Suíça, campeão na temporada de 1914/15.
=> Ary Patusca (1915-1922)

UM ATO DE NOBREZA E PAZ

Em 1915, os quadros de Santos FC e AA das Palmeiras se propuseram a um amistoso. O enfrentamento tinha um objetivo nobre e solidário. O resultado em questão foi o que menos importou (terminado empatados em 1×1). A Europa nessa época estava em transcurso de guerras e muitas crianças foram prejudicas pelo conflito bélico. O prélio entre as equipes, disputado em Santos, foi em benefício das crianças belgas prejudicadas pelo conflito.

O PRIMEIRO CLÁSSICO DA SAUDADE QUASE ACARRETOU O FIM DO PALMEIRAS

O primeiro “Clássico da Saudade” na história ocorreu no dia 3 de outubro de 1915, no Velódromo de São Paulo. O Palestra Itália (atual Palmeiras), fundado em 1914, ainda não tinha nem um ano de vida, e queria disputar o Campeonato Paulista de Futebol de 1916. Mas a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA), impôs uma condição: que vencesse um time de ponta de sua escolha.
O selecionado para o prélio foi o Santos FC, que apesar de não disputar o estadual naquele ano, era conhecido e respeitado pelo seu futebol. O amistoso ainda serviu para arrecadar ajuda para as vítimas da grande “Seca do Nordeste” de 1915. No jogo, o Santos goleou o Palestra Itália por 7 a 0 com autoridade, acabando com as pretensões alviverdes de disputar o Paulistão do próximo ano (1916). Com o traumático revés, o Palestra quase fechou as portas depois disso, mas resistiu! Graças à expulsão do Scottish Wanderers, clube que foi punido por pagar jogadores na época amadora. Com isso, o Palmeiras conseguiu uma vaga para disputar o estadual em 1916 e desenvolver suas atividades no futebol bandeirante.
=> Goleada no Primeiro Clássico da Saudade (1915)

O PIONEIRISMO DE VILA BELMIRO (ESTÁDIO URBANO CALDEIRA) 

Em 1916 a parte estrutural do Santos FC torna-se notável dando vigor e status para a época. O clube foi um dos pioneiros nesse aspecto patrimonial, construindo um dos primeiros estádios particulares (provavelmente o primeiro), do Brasil. Em 1917, a mítica Vila Belmiro recebeu a primeira partida internacional. A presença do Dublin FC (Uruguai) atraiu uma multidão ao campo do Alvinegro. Em 1930, receberia alcunha de um alçapão, quando o time acabou invicto o Campeonato Paulista, como mandante.
=> Inauguração da Vila Belmiro (1916)

OS PRIMEIROS “MENINOS DA VILA” NA HISTÓRIA DO CLUBE (1916/19)

A alcunha “Meninos da Vila” ficou conhecido e famoso apenas no ano de 1978. A famosa denominação foi dada pelo então técnico da época, Chico Formiga. No futuro as gerações se consagrariam, o que poucos sabem é que, no período entre 1916 a 1919, surgiram: Arnaldo Silveira, Adolpho Millon e Ary Patusca (os primeiros meninos da história). Estes ilustres jogadores acarretaram na primeira grande geração da história do Santos FC (1916 a 1919), ajudaram no crescimento do clube e na culminação como um dos grandes clubes do futebol paulista, tendo enorme importância histórica.
O ataque histórico formado por Arnaldo, Millon, Haroldo e Ary demonstra o DNA ofensivo do clube. É a primeira linha ofensiva famosa da vida do Santos FC. Os destaques são para as convocações a Seleção Brasileira do trio (Arnaldo, Millon e Haroldo), e as artilharias de Ary Patusca, nos estaduais de 1916 e 1919. Além disso, cabe destacar a importância da família Patusca para a formação da história do SFC.
=> Os Primeiros Meninos da Vila (1916-1919)

ARNALDO SILVEIRA

Da linha de frente de 1916-1919 citados, todos foram considerados ídolos. Mas certamente Arnaldo Silveira (que faz parte da gênesis Patusca) tenha tido maior destaque. Ponta esquerda rápido e habilidoso, dotado de muita técnica, esteve presente em todos os primeiros grandes momentos da vida do Santos FC. Inclusive até, marcando o primeiro gol da história do clube. Importante para o Santos e para a Seleção Brasileira, ao qual foi Campeão Sul-Americano e capitão em 1919, alçando e comandando a primeira taça do país. Para Arthur Friedenreich, maior nome da era amadora do futebol no Brasil, Arnaldo Silveira estaria na sua Seleção Brasileira de todos os tempos.
=> Arnaldo Silveira (1912-1921)

PRIMEIRO CLUBE A ENFRENTAR A SELEÇÃO BRASILEIRA

Na primeira década de competições oficiais no amadorismo (1916-1920), o Santos FC se tornaria importante base do selecionado com sua linha ofensiva. Em 1917, o clube se credenciaria como a primeira equipe nacional que enfrentou a Seleção Brasileira. A partida foi realizada na Vila Belmiro.

A BASE DA PRIMEIRA CONQUISTA CONTINENTAL DO PAÍS

Em 1919, a Seleção Brasileira (CBD) conquistou sua primeira competição oficial. Trata-se do continental Sul-Americano (atual Copa América). Nesse conquista, o Santos FC foi uma das bases do escrete, com o máximo de selecionados (três jogadores convocados: Arnaldo Silveira, Adolpho Millon e Haroldo Dominguez). Dois atletas foram titulares absolutos: Adolpho Millon pela ponta-direita e Arnaldo Silveira, ponta-esquerda capitão da equipe na conquista.

CONTRIBUIÇÕES AO DESENVOLVIMENTO DO FUTEBOL BRASILEIRO

Ao longo da história o Brasil (CBD/CBF) se estabeleceu como a principal potência do futebol mundial. É a confederação mais laureada com 5 conquistas mundiais: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. No amadorismo porém, o país não era uma superpotência desse esporte (Argentina e Uruguai, por exemplo, tinham maior destaque no continente). Para chegar a tal status necessitou erguesse em crescente continua, desde os momentos iniciais, aos quais foram disputadas as primeiras competições oficiais (os Sul-Americanos). Transcorrendo assim, um processo difícil e importante de fortalecimento, onde o Santos FC foi fundamental.
Nesse período inicial, ao qual o Brasil jogou suas primeiras competições oficiais (1816 a 1920) foi onde mais necessitou-se de contribuições por parte dos clubes. Era um projeto em formação o desenvolvimento da Seleção Brasileira. Nesse ínterim, embora existisse times como o Paulistano (maior equipe da época amadora), o Santos FC demonstrou sua força em craques, tornou-se o clube paulista com mais selecionados (9 atletas) na primeira década de competições oficiais (Copa América de 1916-1920). A Seleção Brasileira (CBD) conseguiu conquistar seu primeiro título em 1919, num escrete em que entregavam 3 atletas santistas (recorde), sendo dois deles pontas titulares, um como capitão.
Nesse época abordada (1916-1920), onde sucederam-se as primeiras participações da CBD em competições oficiais, o Santos FC não apenas gerou importância histórica, como teve o ataque mais valorizado do país. Para se ter proporção do fato, as nove convocações de atletas santistas nesse período, foram todas de atacantes. Esse recorde de época, coloca a prova o DNA ofensivo do clube e sua representatividade no desenvolvimento e continuidade da Seleção Brasileira.
=> Atletas do SFC nesse período (1916 a 1920), integrados a Seleção Brasileira para a disputa nos Sul-Americanos (atual Copa América):
– Arnaldo Silveira: (1916 / 1917 e 1919*).
– Adolpho Millon: (1917 e 1919*).
– Haroldo Dominguez (1917 e 1919*).
– Constantino (1920).
– Castelhano (1920).
– OBS: Em 1917 o goleiro Otto Banduck foi escrito como jogador do Santos no Sul-Americano. Mas, o clube não o considera, embora tenha feito um jogo amistoso no mesmo período. Se levado em conta, seriam 10 atletas santistas em Sul-Americanos no período.
– Os outros clubes paulistas que obtiveram pelo menos cinco convocações de atletas no período: Corinthians (5), Palmeiras (5), Paulistano (5), São Bento (3) e Mackenzie SP (3).
=> Contribuições ao desenvolvimento do Futebol Brasileiro (1916-1920)

A PRIMEIRA GERAÇÃO LENDÁRIA DO SANTOS FC

Essa geração (1927-1931) se destaca por revolucionar a forma ofensiva de se jogar no país na época amadora. O potente quadro foi noticiado pela imprensa como um dos melhores do país. Também foram reconhecidos pelo futebol técnico e disciplinar. Em nota, o clube obteve alcunhas de “Campeão da Técnica e da Disciplina” e de “Ataque dos 100 gols”, quando tornou-se o primeiro a marcar 100 tentos numa competição oficial. A espetacular média de 6,25 tentos anotados em 16 prélios, é um recorde mundial! Ganharam destaque nessa dinastia os atletas: Tuffy e Athiê, Bilú, Omar, Camarão, Siriri, Evangelista, Araken Patusca (craque que jogou a Copa de 1930) e Feitiço (um dos maiores artilheiros da história). Fatores extracampo brecaram o triunfalismo da equipe, que foi vice-campeã paulista em 1927/28/29 e terceira em 1931.
Grandes acontecimentos ocorreram na história do SFC nessa etapa (1927-1931). Estes culminaram para a obtenção de feitos históricos importantes. Destacam-se, os 12 atletas santistas presentes na Seleção Paulista, a inauguração de estádios como de São Januário (maior da América do Sul até então) em 1927. Também, a Vila Belmiro que recebeu alcunha de alçapão devido a invencibilidade de 1930, goleadas contra os principais rivais e adversários, como os 8×3 no Corinthians e uma fulminante contagem de 6×1 sobre a França, que havia disputado a 1º Copa do Mundo (1930). Os franceses acharam que o Santos era a própria Seleção Brasileira. O Alvinegro chegou a vencer o que havia de melhor no futebol mundial, ao bater por 2×1 a base da maior geração da história do Uruguai (então campeã do mundo de 1930 e bicampeã olímpica de 1924/28) em 1931. Apresentando o melhor futebol de época, essa geração que se caracteriza como a segunda com presença de meninos (da Vila), colocou definitivamente o SFC entre os principais clubes do futebol paulista.

O ESQUADRÃO HISTÓRICO

A dinastia que se formou entre 1926/1931, teve o ápice futebolístico em 1927, postulando um esquadrão histórico e primordial da história santista. O time ficou famoso e conhecido nacionalmente pelo futebol ofensivo, técnico e disciplinado. Foram 100 gols em 16 jogos, no Campeonato Paulista daquele ano, com diversas goleadas nos adversários: 12×1 no Ypiranga, 10×2 no Republica, 11×2 no Barra Funda, 11×3 no Americano, 9×3 no SP Alpargatas, 10×1 no Guarani, 8×3 no Corinthians, como as principais. Nas apresentações no Rio de Janeiro foi condecorado como um Campeão da Técnica e Disciplina, após triunfar sobre o Vasco da Gama. Os grandes nomes da equipe, eram de Athiê, Araken Patusca e Feitiço, que estiveram na pré-lista e participariam da primeira Copa, se não fosse o desentendimento dos cartolas.
=> A Primeira Geração Histórica e o Esquadrão Santista (1927-1931)

RECORDE DE GOLS NAS AMÉRICAS E NO MUNDO

– O Santos FC foi o primeiro clube das Américas a marcar 100 gols em uma competição oficial (Campeonato Paulista de 1827).
– O Santos FC é o único clube do mundo a fazer 100 gols em 16 jogos em uma competição oficial na história do futebol. Com média de 6,25 gols por partida. Foram 12 goleadas em uma edição de Campeonato Paulista (1927).

INAUGURAÇÃO DE ESTÁDIOS

Ao longo da história o Santos se notabilizou como um grande visitante indigesto, inaugurando cerca de 22 estádios pelo mundo. Desde de seus primórdios o Santos FC sempre foi convidado e chamado para abertura e inauguração de praças esportivas, o aproveitamento do clube é de 71% nos jogos.
A mais famosa inauguração de estádios feita pelo Santos FC nessa época abordada, aconteceu em 21 de abril de 1927, quando o clube foi convidado para participar da Inauguração do Estádio São Januário (a época considerado o maior da América do Sul), na cidade do Rio de Janeiro. O Santos derrotou a equipe do Vasco da Gama pelo placar de 5 a 3, com gols de Evangelista (3), Omar e Araken. Ao derrotar os donos da casa, o Peixe recebeu o troféu “A Vitória”, e a imprensa carioca chamava o quadro santista de “Campeão da Técnica e Disciplina”. Além da Inauguração de São Januário, no tempo abordado, o Santos foi convidado a inaugurar 8 estádios pelo Brasil.
=> Inauguração de São Januário (1927)
=> Inauguração de Estádos

O CAMPEÃO DA TÉCNICA E DA DISCIPLINA

No final dos anos da década de 1920, a filosofia da Técnica e Disciplina, praticada e adotada pelo futebol do Santos FC lhe rendeu uma alcunhas de grande prestigio para sua história: “Campeão da Técnica e Disciplina”. A expressão notável foi denominada pelo jornal O GLOBO após apresentações do clube no estado do RJ (contra os clubes cariocas) e vitória fidalga, contra o Vasco da Gama. Nessa partida, o Santos triunfava jogando um belo futebol e o cariocas enfurecidos foram notoriamente violentos, com duras faltas contra os santistas. O SFC em nenhum momento revidou. O ato nobre foi o ápice e rendeu o reconhecimento que valeu por toda essa época da história do clube como um legado. A expressão é tão importante que é cantada no hino oficial do clube. Tornando-se uma das filosofias exercidas pelo Alvinegro no Brasil e posteriormente no mundo.
=> O Campeão da Técnica e Disciplina (1927)

“TODO GRANDE TIME COMEÇA POR UM GRANDE GOLEIRO”.
O SANTOS TINHA DOIS!

O Santos FC tornou-se o primeiro clube brasileiro a possuir dois goleiros integrando as Seleções Paulista e Brasileira, Athiê e Tuffy, nos anos 1927 e 1928.

EL TIGRE VESTE A IMACULADA CAMISA BRANCA

Em 1930, pela primeira vez na história o maior jogador brasileiro da era amadora, Arthur Arthur Friedenreich, vestiu a camisa do Santos FC. A partida ocorreu perante os argentinos, onde o Alvinegro venceu por 4×1. A direção do clube mandou confeccionar um uniforme especial, de seda com o escudo em veludo para o El Tigre. Em 1935, novamente Friedenreich voltou ao clube, para participar de uma no Rio Grande do Sul, antecedendo a primeira conquista do Campeonato Paulista, naquele ano. Sua participação na equipe acarretou prestigio de popularidade ao Alvinegro, que passava a ser cada vez mais conhecido no futebol. Por vestir a camisa santista, remeteu-se na história um recorde nacional, pois assim, os dois maiores jogadores de épocas distintas (Amadora e Profissional) jogaram e vestiram a imaculada camisa do Santos FC.

CONTRIBUIÇÕES AO FUTEBOL PAULISTA

Importante para o futebol de inúmeras maneiras, o Santos FC com sua tradicional história de grandes craques agregou bastante ao futebol paulista em todo período da história. Tendo sempre selecionáveis jogadores de seu quadro de atletas. Foram muitos, os craques santistas que vestiram a camisa da Seleção Paulista de Futebol, como: Tuffy, Athiê, Araken Patusca, Feitiço, Bilú, Mário Seixas, Omar, Camarão, Feitiço, Evangelista, Ferreira, Júlio, Siriri, Armandinho, Junqueirinha, Neves, Sacy, Sylvio Hoffmam, Cyro, Marteletti, Agostinho, Mário Pereira, Grandim, Antoninho, Odair, Cláudio, entre outros. É uma demonstração de grande valor ao futebol, através de contribuições de craques.

OS PRIMEIROS LAPSOS INTERNACIONAIS

Os primeiros traços internacionais santistas aconteceram nas décadas de 1920, 1930 e 1940, antecedendo o batismo internacional em 1954. Emocionantes partidas valorosas passaram a ocorrer contra adversários de alto prestigio para época.
É bem verdade, que o SFC chegou a realizar partidas internacionais em seus domínios contra o Dublim/URU, equipe então de alto peso, e contra um Combinado Uruguaio, bem antes dos sucessivos jogos no final da década de 1920. Entretanto, foram prélios sem continuidade, tornando-os quase sem efeito, apesar de grande alvoroço a cidade quando realizados. Mostrando-se um grande anfitrião, o Alvinegro somente teve sumptuosidade e apreço a partidas contra equipes e seleções do exterior a partir do final da década de 1920, onde a diretoria santista passou a engajar no calendário alvinegro, jogos desse naipe, onde sucessivas partidas desse caráter passaram a ser rotina na Vila Belmiro/SP.
Sucederam-se assim num período histórico (1929 á 1953), triunfos importantes contra grandes adversários para a época, antes do clube se afeiçoar ao exterior. Na década de 20, o Santos FC triunfou perante Barracas/ARG (1-0), Rampla Juniors/URU (5-0), Tucuman/ARG (4-1), Huracán/ARG (4-1) e enfrentou duas Seleções que disputaram a Copa do Mundo: empatando em (3-3) contra os EUA terceiro colocado no Mundial, e venceu com goleada fulminante a França (6-1). Na década de 30, venceu o Sud América/URU e a maior geração do futebol Uruguaio (2-1 no Bella Vista/URU), seguiu em exito contra Estudiantes/ARG (4-3), foi derrotado numa revanche diante do Huracán/ARG e se sobressaiu frente ao Campeão Paraguaio Libertad/PAR (2-0). Mais dois confrontos com na década de 40, contra o Libertad/PAR, uma vitória (5-1) e um revés. No começo dos anos 50, foram mais 3 triunfos: 4 a 0 no Bicampeão Inglês Portsmouth (1º vitória contra europeus), 3 a 0 no Campeão Iugoslavo Estrela Vermelha e 6×3 nos Tetracampeões Portugueses do Sporting.
=> Os Primeiros Lapsos Internacionais (1929-1953)

O MAIOR ANTES DE PELÉ

Pelo seu magnifico futebol e importância, provavelmente o craque Araken Patusca seja o maior ídolo do período retratado (1912-1950). Foi uma das primeiras grandes revelações da história santista (1923) e o único atleta paulista que participou da primeira Copa do Mundo (1930). Era um jogador elegante, de dribles rápidos e de técnica refinada, que simbolizou a filosofia do clube na época. Ele ajudou o Santos FC a se tornar um dos grandes e possibilitou o desenvolvimento técnico da história do clube. Foi o grande artilheiro do time, ao lado de Feitiço, e simboliza uma gênese da família patusca, presente na história santista. Foram inúmeras as suas contribuições, desde a elevação técnica do clube ao primeiro esquadrão histórico, sobretudo na conquista do primeiro Campeonato Paulista em 1935; ao assinalar o gol decisivo da vitória em 2-0 sobre o Corinthians, em pleno parque São Jorge. Representou formidavelmente também a Seleção Paulista, além da Seleção Brasileira.
=> Araken Patusca (1923 a 1929/1935 a 1937)

A FRANÇA PENSAVA QUE O SANTOS ERA A SELEÇÃO BRASILEIRA

No transcorrer da história o Santos FC enfrentou 42 Seleções Nacionais em seu histórico internacional, sendo assim, o clube que mais enfrentou Seleções no futebol mundial. Em 1930, o clube se tornou o primeiro brasileiro a golear uma seleção nacional estrangeira. O jogo teve como local a Vila Belmiro, dia 30 de julho daquele ano, e o Santos venceu a França pelo placar de 6×1, com gols de Feitiço (4) e Mario Seixas (2), quando o Selecionado Francês retornava do Uruguai, onde havia disputado o primeiro Campeonato Mundial de futebol. Depois do jogo jogadores pensavam está jogando contra a própria Seleção Brasileira.
=> A vitória fulminante sobre a Seleção da França (1930)

FEITIÇO E SEUS TENTOS

É do Santos FC o jogador que mais tentos assinalou em um só campeonato em todos os tempos no amadorismo, o atacante Feitiço, em 1931, marcando 39 gols. O centroavante é um dos maiores artilheiros da história do SFC (5º maior) com 214 gols. Dono de um futebol valente, com dribles curtos, arrancadas irresistíveis e cabeçadas fulminantes, se caracterizou por marcar com arte gols sem-pulos de bico. Sua personalidade era geniosa, tanto que, se envolveu em atrito com o presidente da República Washington Luís. Foi um dos maiores atacantes de seu tempo e um dos maiores ídolos da história santista.
=> Feitiço (1927 a 1932/1936)

A HISTÓRICA VITÓRIA CONTRA A MAIOR GERAÇÃO DA HISTÓRIA DO FUTEBOL URUGUAIO

Em 1931 o Santos bate a base do futebol Uruguaio, vencendo o poderoso CA Bella Vista (URU) pelo placar de 2 a 1 com gols de Camarão e Natinho, em Vila Belmiro. O confronto internacional com a fortíssima equipe do Bella Vista (Uruguai) foi algo histórico para um clube brasileiro e o futebol do país. Pois sendo a base da Seleção Uruguaia a época (Bicampeão Olímpica em 1924 e 28 e Campeão Mundial em 1930), os jogadores Uruguaios que formavam a espinha dorsal, eram naquele momento a sensação do futebol mundial. Chegaram ao Brasil e fizeram enorme sucesso, mais foram derrotados pelo Santos FC.
=> A vitória contra a base da Seleção Uruguaia (1931)

CRESCIMENTO, FORÇA E ESTRUTURAÇÃO DO SANTOS NO FUTEBOL AMADOR

No período do Amadorismo o Santos FC se estabeleceu como um dos grandes times de São Paulo, sendo a quarta força do futebol paulista. Com campanhas relevantes historicamente, superou times como a Portuguesa de Desportos, São Paulo FC, São Bento e CA Ypiranga. Ficando atrás apenas do trio de ferro da época (Paulistano, Corinthians e Palestra Itália). Confira o ranking de pontuação da Era Amadora:

O PRIMEIRO JOGO PROFISSIONAL DO PAÍS

O pioneirismo do SFC foi confirmado na primeira partida de futebol sob o regime profissional (1933), tendo cabido ao Santos e à Vila Belmiro a primazia desse momento histórico.

A JUSTIÇA TARDA, MAIS NÃO FALHA:
CAMPEÃO PAULISTA DE 1935

Eram tempos em que o futebol apresentava-se em meio à confusão de entidades e clubes. O advento do profissionalismo (1933) motivou essa agitação. Buscando um melhor entrosamento o Santos FC trilhou uma excursão proveitosa ao Rio Grande do Sul, antes do certame estadual de 1935, que marcou a terceira cisão no futebol de São Paulo. Pela rota ao Sul, destaque para a presença de Arthur Friedenreich atuando com a imaculada camisa branca. No regresso o time treinado pelo ex-jogador Bilú, postulava uma espinha dorsal e estava melhor preparado.
Naquele ano, foram disputados dois campeonatos: um pela Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) vencido pela Portuguesa de Desportes e o outra pela Liga Paulista (LPF), competição mais forte e competitiva, que teve o Santos FC como triunfante absoluto. Pela LFP, além do SFC, participaram seis equipes: Corinthians, Palestra, Hespanha, Port. Santista, Paulista e Juventus. Como era padrão na época, o campeonato fora disputado no sistema de pontos corridos, em turno e returno. Para ser campeão, o Santos FC jogou 12 partidas, obteve 09 vitórias e sofreu apenas 01 revés. A equipe era aguerrida e bastante solida. Terminando com o melhor ataque com 32 tentos e a melhor defesa sofrendo 12 gols.
A alguns anos o Santos FC vinha mostrando sua força no estadual. Campanhas importantes poderiam ter culminado em título (1927/28/29/31), mas o time não obteve êxito. Finalmente no dia 17/11 de 1935, o clube superou seus rivais e começou a escrever uma longa história vitoriosa. O título foi comemorado após triunfo (por 2-0) sobre o arquirrival Corinthinans, em pleno Parque São Jorge. Os gols foram marcados por Raul Cabral e pelo craque símbolo da conquista Araken Patusca. O quadro campeão paulista veio a campo com: Ciro; Neves e Agostinho; Ferreira, Marteleti e Jango; Saci, Mario Pereira, Raul, Araken e Junqueirinha. Outros jogadores importantes na campanha foram: Moran e Logu.
=> Campeonato Paulista de 1935
=> O Time que fez do SFC um Campeão (1935)

FUNDADOR DA FPF (FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL)

Em 1941 o Santos FC participou do seleto grupo de clubes do futebol paulista que fundaram a Federação Paulista de Futebol (FPF). Posteriormente, se tornaria o maior Campeão Paulista desde a sua criação, com 20 conquistas.

O REI DO NORTE E NORDESTE DO PAÍS

Athiê assumiu a presidência do Santos FC em 1945, e logo nos primeiros anos foi ousado, ao promover uma épica excursão no final de 1946 e início de 1947. O Santos recebeu a alcunhas de Rei do Norte e Nordeste por ser dono da melhor campanha em excursão contínua em território nacional. De novembro de 1946 a fevereiro de 1947, no norte e nordeste do Brasil, acabou invicto com 12 vitórias e 3 empates. O time de Vila Belmiro visitou as capitais de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Pará. A viagem durou pouco mais de 2 meses, e com 15 jogos disputados, o Alvinegro não sofreu revés. Foram 52 gols marcados e 2 taças conquistadas. A grande maratona de jogos e viagens proporcionou partidas até mesmo no dia do natal e do ano novo.
=> Rei do Norte e Nordeste (1946-1947)

OS CRAQUES E ÍDOLOS SANTISTAS DESSE PERÍODO

Tradicionalmente o Santos FC é um dos clubes do futebol mundial que apresentou e apresenta no decorrer de sua história grandes jogadores, tanto em quantidade quanto em qualidade, sejam eles: revelados ou que se tornaram ídolos pela identificação no clube. No período entre 1912 a 1950, nasceram e vestiram a camisa do glorioso alvinegro de Vila Belmiro muitos craques, vários se tornaram ídolos do Santos FC.
O que mais se notabilizou foram as linhas de frente, enfatizando o DNA ofensivo sempre presente na história santista. A primeira linha de frente famosa, dos quadros santistas foi formada por: Arnaldo, Millon, Haroldo e Ary Patusca entre 1916 a 1919. Depois disso, notabilizou-se o famoso ataque com Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista entre 1927 a 1929. Passando pela frente que conquistou o Paulista de 1935 que ainda tinha a batuta de Araken Patusca, integrada por Mario Pereira, Raul e Junqueirinha. Todos chegaram a Seleção Paulista. O último grande momento do período feito pelo Santos FC aconteceu nos vice-campeonatos Paulistas em 1948 e 1950, destacando-se uma linha de frente forte, com um ataque formado por Antoninho Fernandes, Odair, Nicácio e Pinhegas.
Nessa época os treinadores seguiam um esquema tático padrão para as equipes (2-3-5), o que possibilitava uma maior projeção de ponteiros e centroavantes. Embora fosse assim, nem só de atacantes viveu o SFC, também apareceram diversos nomes importante em outras posições do campo, dando assim, uma completude de craques. Outros destacados futebolistas foram os excelentes goleiro Tuffy, Athiê e Cyro; defensores intransponíveis e seguros como Agostinho, Neves, Bilú, Urbano Caldeira, Silvio Hoffmam, Alfredo Ramos; centro-médios indispensáveis na contenção ou criação como Jarbas, Marba, Mário Seixas, Moran e Antoninho, além de outros atacantes como Grandim (primeiro curinga do futebol), Ruy Gomide, Echevarrieta, Cláudio e Odair, entre outros nomes relevantes.

ANTONINHO FERNANDES: HISTÓRIA DEDICADA AO SANTOS FC.

O arquiteto da bola, o arquiteto do Santos FC e da Seleção Paulista de futebol foi um dos grandes jogadores de seu tempo, e é um dos mais importantes da história santista. Era um futebolista dotado de muita técnica, visão de jogo e tinha facilidade para criar jogadas e marcar gols. Típico jogador de futebol clássico, meia-direita de origem se notabilizou uma das bandeiras da história do clube! Sua história foi dedicada ao Santos FC, durante uma década (anos de 1940) foi sem dúvida, a maior representatividade do clube. Um dos maiores admiradores do futebol de Antoninho foi o mestre Zizinho que, não media palavras para falar do craque santista. Infelizmente por despeito dos cariocas comandantes da CBD, nunca foi convocado para defender a Seleção Brasileira. Mais na Seleção Paulista, mostrou todo seu potencial, recebendo a alcunhas de “Arquiteto da Bola”. O mesmo ocorreu pelo clube do coração, o Santos FC, numa geração Injustiçada. Contra tudo e contra todos, alcançou apenas dois vice-campeonatos paulistas em 1948 e 1950. Antoninho não conseguiu conquistar títulos importantes como jogador, apenas como técnico elevando o Santos em conquistas memoráveis.
=> Antoninho Fernandes (1941-1954)
=> A Importância de Antoninho Fernandes

 Fontes e Referencias: 
RSSSF Brasil – Seleção Brasileira;
Almanaque do Santos FC de Guilherme Nascimento;
Livro Time dos Sonhos (Odir Cunha).

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