Sim, senhor! Meu capitão Z!

Published On 08/08/2015 | Artigos
Por Kadw Gommes
Santos, 08/08/2015

A Importância de um grande líder para o sucesso coletivo


Para que uma equipe ou grupo de jogadores, que compõe um grande esquadrão se desenvolva e conquiste espaço e representatividade no futebol mundial, a participação de todos estes no processo de crescimento é fundamental e essencial, obviamente. Afinal, o grupo que compõe um grande time é a “alma” do futebol nele praticado, e é a partir deles que devem surgir idéias, sugestões, melhorias e críticas para um futebol de qualidade perante aos desafios encontrados. E esse funcionamento, tem que ser regido por uma liderança, cabendo assim ao líder incentivar sua equipe e ajuda-la na sua organização tática/técnica e incentivar o empenho pelo sucesso coletivo a cada jogo. O líder é quem guia, quem dá a cara a tapas, quem toma a frente, quem inspira, quem dá confiança… São muitas definições, mas a melhor de todas: o líder é quem gerencia todo o processo. Ou seja: O GERENTE! Falemos então de ZITO

O maior médio central da história do futebol brasileiro


Imprescindível e insubstituível no maquinário motor do “Time dos Sonhos do Santos FC” e da Seleção Brasileira Bicampeã Mundial (1958/1962), José Ely de Miranda, o popular Zito, costumava se doar ao máximo em campo a cada jogo, sendo um símbolo de dedicação e amor à camisa ao qual defendia, principalmente a do Santos FC onde passou 15 anos como jogador e não menos é claro, a da Seleção Brasileira ao qual defendeu por anos – um exemplo para todas as gerações. O eterno capitão santista, era incapaz de baixar a cabeça diante de qualquer adversidade e não permitia que seus companheiros também se abatessem. De tudo que possam falar de Zito, de fato a liderança foi seu maior legado, foi um líder nato de uma era de ouro no futebol brasileiro. Correndo o tempo todo em campo, Zito comandava o time com voz forte e classe. Era um jogador elétrico e incansável. Revolucionou a posição de Médio Central, pois além de um excelente defensor, armava com qualidade e eficiência, numa época em que isso não era algo comum, onde o volante apenas defendia.
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Foi um jogador de muita raça e força física, mais também bastante técnico e principalmente tático. Sempre elegante com a bola nos pés, muito consistente no meio campo, era um motivador inapelável, que sempre fazia os companheiros renderem ainda mais do que podiam, extremamente competitivo também se cobrava bastante, era um jogador convicto, competente e completo na sua posição. Por ele passavam todas as jogadas santistas e nem mesmo Pelé, o maior de todos, escapava de ouvir suas cobranças. Pelo contrário, era o primeiro a reconhecer eventuais acomodações e a seguir seus conselhos. Mas antes de exigir dos companheiros, Zito cobrava determinação de si próprio. “Não admitia perder nem em treino”, confessa. Como por exemplo, na decisão do Mundial de Clubes de 1962, ele não aceitou ficar de fora, apesar de fortemente gripado, e foi a campo para comandar a vitória de 5 a 2 contra o Benfica/POR.

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O Grande “Seu Zito”, ficou marcado como símbolo de raça e liderança de um time mágico que encantou o futebol mundial para sempre. Não são poucos os relatos de seus ex-companheiros que ajudam a propagar a história do eterno capitão, onde até o Rei Pelé, respeitava sua gerência. O que pouco se fala, é que além do comando dentro e fora do campo, sua técnica era apurada e a ofensividade se fazia presente, mesmo em um time que compunha da melhor linha de ataque de todos os tempos. Além de seus passes milimétricos que colocavam Coutinho, Pelé, Pepe e outros… na cara do gol, Zito também marcou muitos tentos pelo Santos, o que coloca o “Eterno Gerente” como o volante mais artilheiro da história Peixeira! Acompanhe a página do capitão no facebook.

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Sempre ímpeto e vigoroso, Zito, era o grande comandante do Santos no campo de batalha! Jogando na meia central, costumava ir e voltar fazendo um rodizio entre a defesa e o ataque, organizando as jogadas e dando passes precisos, o capitão tinha visão e inteligência de jogo, costumava jogar argumentando bastante, saindo roco muitas vezes depois das partidas – nem Pelé escapava de seus gritos. Seu espirito competitivo o faziam vibrante e incansável, achava inadmissível perder jogos ou não leva-los a sério, queria que seus companheiros dessem sempre o melhor, sem desrespeitar o adversário. Apesar desse temperamento forte, Zito só conseguiu amizades no elenco. – “A cada vitória, a cada triunfo, a cada conquista, toda vez ao qual se encontrar adversidades e dificuldades, toda vez que precisar levantar a cabeça e se reorganizar, dar-se a impressão de ouvir um eco no estádio, um pulmão que não cessa e não para de trabalhar nunca, que se perpetua misticamente, seja no Urbano Caldeira ou em qualquer campo de batalha, dar-se a impressão de que ele, Zito, o eterno capitão, o gerente, o maestro da orquestra santista, sempre estará no campo de batalha! Guiando e ajudando ao com o seu melhor que puder, doando-se ao Santos FC como sempre fez, uma bandeira de nossa história”.
Foi um vencedor, e não poderia ser diferente pelo espirito que carregava, não será abordado nada sobre sua morte, pois pessoas como ele, são eternas! E que o Santos incorpore o espirito vencedor de Zito a cada jogo, que seja a nossa forma de “energia” como clube.
Quem o acompanhou com precisão, o descreve com clareza suas qualidades e forma de atuar em campo, aqui um breve texto de Alberto Helena Junior:
Foi-se o meu querido Zito, com quem tinha, de tempos em tempos, longos e deliciosos papos sobre futebol e aquele Santos, o maior time de todos os tempos. Time que começou a ser forjado em torno daquele menino de Roseira, vindo do Taubaté para a Vila, em 1952, um líder pela própria natureza. E um jogador de múltiplas funções, que nossos comentaristas jovens chamariam hoje de volante moderno.
Zito era bem mais do que um simples volante que sabe sair jogando, como se diz por aí. Começou como meia ponta de lança, recuou para meia-armador e acabou se transformando num dos maiores volantes da nossa história. Mas, se precisasse, Zito ia pra lateral direita, pra lateral esquerda e até quebrava um galho como quarto zagueiro. Aliás, nessa época, era muito comum esse procedimento, que nestes tempos tão mecanizados surpreende e é aplaudido como uma grande novidade. Pois, o normal era um meia virar volante e um médio volante se transformar em zagueiro, o que elevava o nível técnico da defesa e do meio de campo, produzindo maior fluência no passe desde lá detrás.
Assim, Zito tinha a técnica e a habilidade de um meia, às quais acrescentava o fogo das arrancadas incontroláveis ao ataque e uma disposição incrível para retomar a bola dos adversários, quando mais recuado, próximo dos beques. Além disso tudo, marcava seus gols, sim, senhor. E, certamente o mais antológico, aquele contra a Tchecoslováquia, na decisão da Copa de 62, no Chile: começou a jogada lá atrás, abriu para a esquerda de onde veio o cruzamento que ele colheu de cabeça quase tocando o travessão, apesar de sua baixa estatura” descreve o jornalista.

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O Companheiro Clodoaldo, também comentou sobre o eterno capitão santista, sobre o dia em que recebeu a camisa 5 do ídolo, acompanhe:
“O capitão Zito foi um exemplo de homem, de pai de família, de amigo. Perdemos um grande líder, um grande capitão. No meu início de carreira, tenho muita coisa que aprendi com o Zito. Primeira, essa questão de ser direto, de olho no olho, de comandar. O gesto que ele teve de mais importante comigo foi no dia em que íamos jogar contra a Portuguesa, aqui na Vila, e no vestiário, eu jogava com a oito na época, ao lado do Zito. O Zito recebeu a camisa do técnico Antoninho Fernandes, veio em minha direção e me deu a número cinco. É um momento que nunca esquecerei”

Suas conquistas e legados ao futebol


ZITO SFG

  Zito foi eleito o maior volante da história do futebol brasileiro e maior ídolo santista no século XX, em ambas   enquetes promovidas pela revista placar.

Poucos jogadores na história do futebol, representaram tanto para uma instituição como O Eterno Capitão Santista, que é também um dos jogadores mais vencedores da história do futebol mundial, em todos os tempos, sendo um dos três mais laureados da história do futebol brasileiro (Os três mais laureados são do Santos FC). Zito é um dos maiores médios centrais do futebol mundial em toda a história, e no seu auge e apogeu foi condecorado e eleito o maior volante do mundo em 1962, sendo o único médio central na escalação dos selecionados, time das estrelas, da Copa do Mundo de 1962 (ao qual marcou o gol de cabeça, que deu caminho ao título canarinho). Foi também o único volante a conquistar no mesmo ano dois Mundiais, pelo Santos FC e pela Seleção Brasileira; e é o único com quatro títulos mundiais, duas vezes com o Santos (1962 e 63) e duas vezes com a Seleção Brasileira (1958 e 62). Zito é também o volante mais artilheiro da história do Santos, e foi eleito numa votação histórica o maior ídolo, ou mesmo, jogador mais importante da história santista no século XX – Pelé não conta.
Zito também foi eleito o maior volante/médio central da história do futebol brasileiro em todos os tempos, numa votação histórica promovida pela revista placar, que englobou a opinião de personagens importantíssimos do futebol, de dentro e fora do país. Um jogador que revolucionou sua posição, como um médio central, no futebol pela forma de jogar armando e defendendo, aparecendo muitas vezes no ataque como elemento surpresa com certa frequência. (Texto da FIFA.com). Deixou um legado inigualável, mediante sua liderança a cada jogo. O maestro da orquestra santista, nunca perdeu um jogo no Clássico Alvinegro, e é o terceiro jogador que mais atuou com a camisa santista, foram 727 jogos. O jogador que sempre mostrou o caminho além do horizonte que se podia ver, aquele que alinhava o grupo em torno de um objetivo, mostrando o caminho a ser percorrido e garantindo o comprometimento de todos para chegar lá. O capitão que forneceu ferramentas e monitorou o trabalho do grupo, criando as jogadas, foi responsável por acompanhar e cobrar as atividades de cada um.

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Conquistou pelo Santos FC e pela Seleção Brasileira:
Copa do Mundo: (1958.1962).
Mundial de Clubes: (1962.1963).
Copa Libertadores da América: (1962.1963).
Campeonato Brasileiro: (1961.1962.1963.1964.1965).
Campeonato Paulista: (1955.1956.1958.1960.1961.1962.1964.1965.1967).
Torneio Rio-São Paulo: (1959.1963.1964.1966).
As contribuições ao Santos, não pararam nem mesmo depois de se aposentar. Pois foi com a ajuda dele, como Vice-Presidente santista, que ajudou a forma a base da geração de Meninos da Vila de 1978. Também foi nomeado diretor de futebol pelo presidente Milton Teixeira, mas deixou o cargo em 1987. Em 2000 ele foi nomeado para coordenar uma juventude, contribuindo para o clube a promover jovens como Robinho e Diego e assim, ajudou novamente na formação da geração de Meninos da Vila de 2002. Foi Zito quem descobriu e garantiu a permanência de Neymar por tanto tempo no Santos, e com isso, tendo mais uma vez participado ativamente numa geração de meninos que se formou em Vila Belmiro. Com Gabriel, ele também era o olheiro que viu o jogador e o levou a camadas jovens do clube.

Zito, O Gerente


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O apelido de “Gerente” foi concedido a Zito, em uma excursão feita pelo Santos numa partida de 1967 na Alemanha, contra o TSV 19860 München, no estádio Grunwald, em Munique. Por precaução medica, o meia central santista, não estava atuando nesse jogo, no entanto, acompanhava atentamente a partida nas arquibancadas do estádio. Diferentemente do habitual, o Peixe não conseguiu se encontrar em campo e postular seu grande futebol, com as desavenças constantes entre os jogadores e trocas de farpas… O placar ao fim do primeiro tempo, era o retrato do jogo: 4 a 1 para a equipe Alemã.
No intervalo do primeiro tempo, os jogadores continuavam nervosos no vestiário, mais foi então que Zito desceu das arquibancadas para o vestiário, conversou com a equipe e em seguida, se apresentou ao técnico Antoninho: “Quero jogar!” Entrando junto com o time em campo, para o segundo tempo do jogo. Com voz firme, que ecoava dentro do campo Alemão, e alinhando o grupo, Zito passou a liderar com ímpeto a equipe, ele agora é quem ditava o jogo e apenas sua voz era ouvida, com o fim das confusões e um time organizado em campo, o jogo acabou 5 a 4 para o Santos. A participação de Zito, nesse jogo foi fundamental, assim como foi em todos os jogos ao qual ele jogou pelo Alvinegro, afinal quando as coisas vão bem, o mérito é da equipe, quando vão mal é o líder que deve assumir a responsabilidade, e isso, Zito sempre fez com maestria, como nenhum outro.
13/06/1967 – TSV 1860 Munchen 4 x 5 Santos
Gols: Abel aos 9min, Rebeli aos 11min e aos 32min e Brundi aos 18min do primeiro tempo; Pelé aos 7min e aos 37min, Brundi aos 10min, Edu aos 33min e Toninho aos 36min do segundo tempo.
Local: Estadio Grunwald, em Munique, Alemanha.
Competição: Amistoso
Árbitro: Rieg
TSV: Radenkobic (Fahrian); Wagner, Patzke, Steiner e Reich; Zeiser e Heiss (Ohlars); Kueppers (Konietzka), Brundi, Brunnenmeier e Rebele.
Santos: Claúdio; Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Orlando Peçanha e Geraldino; Lima (Zito) e Clodoaldo; Wilson (Edu), Toninho, Pelé e Abel (Pepe).

Fontes e Referencias:
Página no facebook – Zito, o eterno gerente;
FIFA.COM;
Almanaque do Santos FC, de Guilherme Nascimento;
ASSOPHIS;
A Gazeta Esportiva.

 

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