Superioridade técnica sobre o Arquirrival (1913-1920)

Published On 15/11/2016 | Clássicos e Rivalidades
Por Kadw Gomes
Santos, 15/11/2016

Em termos de rivalidade cabe ratificar a superioridade técnica do Santos F.C. numa comparação ao S.C. Corinthians P., na primeira década de existência dos Alvinegros (1910 a 1920). Nessa época, ambos os times buscavam se estabelecer no futebol paulista: enquanto o Corinthians depois de um período (1910, 11 e 12) na várzea – espécie de segunda divisão –, disputava eliminatórias para jogar entre os grandes; o Santos pelo nível técnico na condição de representar o melhor futebol de Santos – na influência do Americano – era credenciado a participar do estadual diretamente. Entre 22 de junho de 1913 a 21 de setembro de 1919, foi estabelecido pelo SFC uma invencibilidade importante sobre o Corinthians em Campeonatos Paulistas, no primeiro grande momento do clássico historicamente: nesses seis anos, foram quatro vitorias santistas e três empates.
Sabe-se que o SCCP ganhou dois paulistas da LPF. Na época o futebol paulista estava dividido em duas ligas, havendo dessa forma duas competições simultâneas: uma da Associação Paulista dos Esportes Atléticos, que reunia as equipes mais tradicionais e de nível técnico mais elevado, como Paulistano, Palestra Itália, Santos, Ypiranga, Mackenzie, Associação Atlética das Palmeiras e São Bento da capital; e outra que reunia equipes amadoras, os chamados times de várzea, que disputavam o campeonato da Liga Paulista de Futebol. Pela Liga secundaria (LPF), competição desorganizada ao qual era interrompida antes do fim e composta por equipes bem desconhecidas como Maranhão, Alumni, Ruggerone, Campos Elísios, Ítalo, Vicentino, Lusitano, Paissandu, União Lapa… o Corinthians venceu os campeonatos de 1914 e 1916. Mas o desejo corinthiano não era permanecer vencendo campeonatos de segunda escala e sim disputar o campeonato dos grandes, condição que conquistou em 1917.
Dessa forma, na primeira década, o Santos se estabeleceu primeiro no futebol paulista: tinha um futebol mais reconhecido e respeitado (sensação para segundo alguns Jornais), era mais desenvolvido tecnicamente e taticamente, a geração santista demonstrou ser mais forte que a corinthiana pela invencibilidade que construiu e mais vitórias. Tinha o SFC um ataque muito valorizado (algo importante na época), inclusive sendo o mais positivo de 17, estando mais perto do título que o SCCP como em 18, começando a dizimar um respeito nacional primeiro, mais temido, gerou o Santos mais convocações de jogadores na seleção brasileira, ou seja, um grupo mais forte pelo contexto geral.
Na primeira vez que o Santos enfrentou o Corinthians triunfou com autoridade por 6 a 3. Empatou em 1914. Após algumas dificuldades iniciais, ambos os times aprimoraram seu futebol e apresentaram grande performance na Liga principal em 1917. Nessa época, apresenta-se a melhor fase da vida dos Alvinegros, até por estarem na parte de cima da tabela: no 1º turno um empate, mas no 2º turno, o Santos triunfou ante o Corinthians por 3 a 2.
Ano a ano, cada vez mais fortes no Paulista, asseguravam sua condição de grandes times. Pelo lado Santista um futebol de destaque, principalmente dos “forwards”, produzindo sua melhor campanha e brigando pelo título até o fim, vencendo o Paulistano, terminando na segunda colocação do estadual em 1918. Já o Corinthians havia vencido Flamengo e Paulistano, contava com o desenvolvimento técnico-tático de Neco e Amílcar, também postou grande campanha. Nos duelos entre os alvinegros pelo campeonato paulista, um empate e mais uma vitória do Santos, que promove um jogo de velocidade para superar em 4 a 2 o Corinthians. Em 1919, mais uma vitória por 1 a 0, porém, a partir do fim do Sul-Americano/1919, ao qual Santos e Corinthians foram bases, o quadro santista enfraquece consideravelmente, enfrentando problemas diversos, encerrando a primeira grande geração.
Na análise da força dos clubes no Campeonato Paulista (ao qual não compreende amistosos), a geração santista da primeira década era composta por Odorico, Arantes, Américo, Urbano Caldeira, Marba, Harold Croos, Constantino, Castelhano, H. Dominguez, Arnaldo Silveira, Millon e Ary Patusca; já a geração do Corinthians tinha nomes como Casemiro de Amaral, Fúlvio, Casemiro Gonzalez, Policce, César Nunes, Américo, Ciasco, Amílcar, Aparício e Neco. Ambas as gerações formavam duas das mais fortes do futebol paulista, tinha em equivalência jogadores talentosos e se enfrentaram de 1913 a 1920. Foram 4 triunfos do Santos contra 2 do Corinthians, além de 03 empates. Números que para época não são poucos – se jogava bem menos -, refletindo a situação técnica dos clubes.
Outras gerações fortes, equipes tradicionais de SP, eram Ypiranga, AA das Palmeiras, São Bento, Germania e Internacional, ao qual o Santos também apresenta vantagem por triunfos, estando atrás apenas do Paulistano e Palestra Itália.

Fontes e Referências:
Jornal “Correio Paulistano”
Revista “A Cigarra”

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