Surge o “Matador de Gambás”

Published On 01/03/2017 | Clássicos e Rivalidades, Jogos Históricos
Por Ronaldo Silva
São Paulo, 01/03/2017

A palavra de ordem na Vila Belmiro era terminar o incômodo jejum de 4 anos sem vitórias sobre o rival Corinthians.
Para este clássico, o técnico Geninho armou o time no esquema 4-3-3 com a entrada de Gallo no lugar do habilidoso Marcelo Passos para reforçar a marcação e dar liberdade total para o trio ofensivo com Almir, Guga e Cilinho. O Santos necessitava de 2 pontos para obter a classificação para a fase final do torneio e a promessa entre os jogadores era a busca por essa esperada vitória pela torcida santista.
O time paulistano já estava classificado, porém vinha de uma derrota para a Inter de Limeira e não contaria com a presença de Neto que era seu principal jogador. Os corintianos demonstravam confiança de reverter esse quadro devido ao sucesso no Clássico Alvinegro nos últimos tempos.

O JOGO
Um início marcado por muito equilíbrio e bastante disputado por santistas e corintianos. As equipes demonstraram na primeira parte da etapa inicial muito respeito pelo adversário, a precaução de não errar e depois tentar a sorte tornou o duelo arrastado. As torcidas não se agradaram com essa falta de iniciativa, o Santos seguia os mandamentos de Geninho que havia preparado a equipe para alcançar o equilíbrio que faltara em diversas partidas durante o torneio.
Quando todos já acreditavam que não haveria abertura do placar neste primeiro tempo. O Corinthians partiu ao ataque, aos 31 minutos, Fabinho centrou e Nilson desviou para Tupãnzinho, com habilidade este tirou Sérgio da jogada e serviu para Paulo Sérgio, numa falha da marcação santista, finalizar com tranquilidade para fazer 1×0. Este gol foi o divisor necessário para as equipes assumissem seu real potencial.
O Santos, imediatamente, deu mostras que não sentiu o gol sofrido. O volante Axel lançou em profundidade na extrema direita para Almir, em sua especialidade, seguiu a linha de fundo e deslocou o goleiro Ronaldo que tentou fechar seu ângulo e rolou a bola para Guga num leve toque marcar o empate santista. A alegria corintiana havia durado apenas 3 minutos, os times foram para o intervalo com o justo empate por 1×1.
SEGUNDO TEMPO
O Santos retornou ao gramado com outra atitude, desde o primeiro instante da etapa complementar a equipe buscou a vitória. Logo aos 2 minutos, Ranielli cruzou e a defesa corintiana ficou olhando Cilinho resvalar na bola que encontrou Guga, livre na área, cabecear para fazer o segundo gol do Peixe. Era a virada no Morumbi.
Desesperado, Nelsinho Baptista inverteu a posição de seus laterais para seu time buscar o ataque e segurar o lépido Almir. Do outro lado, Geninho aceitou o duelo tático e mudou a forma do Santos atuar, centralizando a criação das jogadas nos pés de Ranielli que encontrava um generoso espaço.
O domínio santista foi premiado, aos 18 minutos, numa trama pela direita com Índio encontrou Cilinho, o ponteiro chutou e Ezequiel rebateu para o alto. Num lance que os deuses do futebol assinariam, Guga se esticou no ar para marcar com um voleio de direita no ângulo. Um golaço de placa, um tiro de misericórdia. O Corinthians não teve mais fôlego para sequer esboçar reação, coube aos jogadores santistas perder oportunidades de ampliar o marcador e com consciência controlaram o restante do embate, o grito de “olé” ecoou no estádio.
Intensa alegria e alívio da torcida santista, o tabu estava quebrado. O Santos saiu do gramado sobre aplausos, e com esta grande vitória se credenciava a buscar o título paulista que não vinha desde 1984.
Guga, teve seu nome gritado exaustivamente pela torcida, justo ao herói da partida com uma atuação irrepreensível. Provou ser um artilheiro dos melhores, capaz de marcar gols de diversas maneiras.
O algoz corintiano com este hat-trick recebeu a alcunha de “Matador de Gambás” e tornou-se um tormento ao rival.

Ficha técnica:
25/10/1992 – Corinthians 1 x 3 Santos
Gols: Paulo Sérgio aos 31min e Guga aos 34min do primeiro tempo; Guga aos 2min e aos 18min do segundo tempo
Local: Estádio Morumbi, em São Paulo
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 391.915.000
Público: 19.856 pagantes (20.121 total)
Árbitro: João Paulo de Araújo
SFC: Sérgio; Índio, Júnior, Nei e Flavinho; Axel, Gallo e Ranielli (Rogério); Almir (Edmar), Guga e Cilinho. Técnico: Geninho
SCCP: Ronaldo; Marcelinho Paulista, Marcelo, Henrique e Vladimir; Ezequiel, Tupãnzinho (Marques) e Edu Manga; Fabinho, Nilson e Paulo Sérgio. Técnico: Nelsinho Baptista

Fontes e referências:
Almanaque do Santos FC;
Jornal “O Estado de São Paulo”;
Jornal “Folha de São Paulo”

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