Taça Libertadores da América – 1962

Published On 21/03/2014 | Taça Libertadores, Títulos
Por Gabriel Santana
Santos, 21/03/2014
Atualizado, 02/03/2017

Ao ser Campeão Brasileiro de 1961, o Santos ganhou o direito de ser o representante brasileiro na maior competição sul-americana, e em sua primeira participação na competição, fez a América do Sul o aplaudir.
Sagrou-se Campeão após enfrentar o forte Peñarol/URU na grande final, em três decisivos jogos.

PRIMEIRA FASE – GRUPO 1
18/02 – Deportivo Municipal-BOL 3 x 4 Santos – Gols: Tite, Lima, Mengálvio e Pagão; Hernandes Siles
21/02 – Santos 6 x 1 Deportivo Municipal-BOL – Gols: Pagão [2], Pepe, Coutinho e Dorval [2]; Vila Belmiro
25/02 – Cerro Porteño-PAR 1 x 1 Santos – Gol: Dorval; Defensores del Chaco
28/02 – Santos 9 x 1 Cerro Porteño-PAR – Gols: Zito, Coutinho [3], Pepe [3], Pelé [2]; Vila Belmiro
Campanha:
1º Lugar – 04 jogos – 03 vitórias – 01 empate – 20 GP – 06 GC – 14 SG
SEMIFINAIS
08/07 – Universidad Católica-CHI 1 x 1 Santos – Gol: Lima; Nacional de Santiago
12/07 – Santos 1 x 0 Universidad Católica-CHI – Gol: Zito; Vila Belmiro
FINAIS
28/07 – Peñarol-URU 1 x 2 Santos – Gols: Coutinho [2]; Centenário
02/08 – Santos 2 x 3 Peñarol-URU – Gols: Dorval e Mengálvio; Vila Belmiro
30/08 – Santos 3 x 0 Peñarol-URU – Gols: Caetano (c) e Pelé [2]; Monumental de Nuñez
Campanha Final:
CAMPEÃO – 09 jogos – 06 vitórias – 02 empates – 01 derrota – 29 GP – 11 GC – 18 SG
Artilheiros:
06 gols: Coutinho
04 gols: Pelé, Pepe e Dorval
03 gols: Pagão
02 gols: Lima, Zito e Mengálvio
01 gol: Tite
01 gol Contra: Caetano

OS CAMPEÕES
Jogadores utilizados (21):
09 jogos: Lima, Dorval e Mengálvio
08 jogos: Pepe, Pagão, Zito e Calvet
06 jogos: Coutinho
05 jogos: Gylmar, Dalmo e Mauro
04 jogos: Pelé, Getúlio, Olavo, Tite e Laércio
02 jogos: Oswaldo
01 jogo: Zé Carlos, Formiga, Silas e Cabralzinho

Fichas Técnicas:
18/02/1962 – Deportivo Municipal-BOL 3 x 4 Santos
Gols: Aguillera aos 16min e Lima aos 41min do primeiro tempo; Mengálvio aos 11min, Torres aos 13min, Ruiz aos 17min, Pagão aos 32min e Tite aos 34min do segundo tempo.
Local: Estádio Hernando Siles, em La Paz, Bolívia.
Público: 38.000 aproximadamente
Renda: 336.680.000 bolivares
Árbitro: Olten Ayres Abreu
Deportivo Municipal: Solis; Jorge Montes, Vargas, Di Lorenzo, Zenteno, Alcocer,
Alberto Torres, Antonio Aguirre (Ruiz Diaz), Roberto Cainzo, J. Torres e Aguillera
Santos: Laércio; Getúlio, Olavo e Zé Carlos; Lima e Calvet; Dorval (Tite), Mengálvio, Pagão, Pelé e Oswaldo.
21/02/1962 – Santos 6 x 1 Deportivo Municipal-BOL
Gols: Pepe aos 12min, Pagão aos 14min e Dorval aos 24min do primeiro tempo; Pagão aos 2min, Aguillera aos 8min, Coutinho aos 13min e Dorval aos 30min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Público: 11.978 pagantes
Renda: Cr$ 1.731.880,00
Árbitro: Alberto Tejada
Santos: Laércio; Lima, Olavo e Getúlio; Zito e Formiga; Dorval, Mengálvio, Pagão, Pelé (Coutinho) e Pepe. Técnico: Lula
Deportivo Municipal: Solis (Viscarra); Zenteno, Vargas e Montez (Julio Torres); Camacho e Roberto Caínzo; Aguillera, Alcócer, Ruiz Diaz, Alberto Torres e Aguire.
25/02/1962 – Cerro Porteño-PAR 1 x 1 Santos
Gols: Dorval aos 11min e Cabrera aos 28min do segundo tempo.
Local: Estádio Defensores del Chaco, em Assunção, Paraguai.
Público: 15.871 pagantes
Renda: 1.941.400 guaranis
Árbitro: Luis Ventre (ARG)
Cerro Porteño: Perez; Cantero; Monges; Breglia; Monin; D. Martinez; Pavon; E. Insfran; A. Jara; P. Rojas; Cabrera.
Santos: Laércio; Lima, Olavo e Getúlio; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Pagão (Tite), Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
28/02/1962 – Santos 9 x 1 Cerro Porteño-PAR
Gols: Pepe aos 6min, Jara aos 19min e Coutinho aos 35min do primeiro tempo; Coutinho aos 9min e aos 44min, Pelé aos 14min e aos 24min, Pepe aos 27min e aos 41min e Zito aos 35min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Público: 10.547 pagantes
Renda: Cr$ 2.065.650,00
Árbitro: Jose Luis Praddaude
Santos: Laércio (Silas); Lima, Olavo e Getúlio; Zito e Calvet; Dorval, Mengálvio, Pagão (Pelé), Coutinho e Pepe. Técnico: Lula
Cerro Porteño: Perez; Cantero, Monges, Breglia, Monin, D. Martinez, Pavon, Insfrán,
A. Jará, Pablo Rojas e Cabrera. Técnico: Vessilio Bártoli Marcos
08/07/1962 – Universidad Católica-CHI 1 x 1 Santos
Gols: Lima aos 15min e Nakwaski aos 30min do segundo tempo.
Local: Estádio Nacional de Santiago, em Santiago, Chile.
Público: 27.326 pagantes
Árbitro: Alberto Tejada (PER)
Expulso: Luís Clivares (Universidad).
Universidad Católica: Behrends; Barrientos, Villarroel, Sérgio Valdés e Clivares; Rivera e Pesce; Juan Nawacki, Alberto Fouilloux, 0. Ramírez e Ibánez. Técnico: Miguel Mocciola
Santos: Gylmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pagão, Tite e Pepe. Técnico: Lula
12/07/1962 – Santos 1 x 0 Universidad Católica-CHI
Gol: Zito aos 36min do primeiro tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Público: 10.511 pagantes
Renda: Cr$ 2.374.400,00
Árbitro: Alberto Tejada (PERU)
Santos: Gylmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pagão, Cabralzinho (Tite) e Pepe. Técnico: Lula
Universidad Católica: Walter Behrends; Eleodoro Barrientos, Washington Villarroel, Jorquera, Sérgio Valdés, Hugo Rivera, Osvaldo Pesce, Juan Nawacki, Alberto Fouilloux, Orlando Ramírez e Fernando Ibánez. Técnico: Miguel Mocciola
28/07/1962 – Peñarol-URU 1 x 2 Santos
Gols: Spencer aos 18min e Coutinho aos 28min do primeiro tempo; Coutinho aos 15min do segundo tempo.
Local: Estádio Centenário, em Montevidéu, Uruguai.
Público: 50.085 pagantes
Renda: Cr$ 29.500.015,00
Árbitro: Carlos Robles (CHI)
Santos: Gylmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pagão e Pepe (Oswaldo). Técnico: Lula
Peñarol: Maidana, Lezcano, Cano, E.González, Matosas, Caetano, Cabrera (Moacir), Rocha, Sasía, Spencer e Joya. Técnico: Béla Guttmann
02/08/1962 – Santos 2 x 3 Peñarol-URU
Gols: Spencer aos 15min, Dorval aos 27min e Mengálvio aos 35min do primeiro tempo; Spencer aos 3min e Sasía (p) aos 11min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Público: 22.000 aproximadamente
Renda: Cr$ 5.418.000,00
Árbitro: Carlos Robles (CHI)
Santos: Gylmar; Lima, Mauro, Calvet, Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pagão e Pepe. Técnico: Lula
Peñarol: Maidana; Lezcano, Cano e E.González; Matosas e Fernández Carranza (Gonçálvez); Rocha, Sasía, Spencer e Joya. Técnico: Béla Guttmann
– Ocorrências: O árbitro Carlos Robles encerrou a partida após o 3º gol do Peñarol, alegando falta de segurança, mantendo a partida até o final em caráter amistoso. No dia seguinte, os jornais estampavam a manchete “Santos, Campeão da América”, pois Pagão marcou o terceiro gol santista aos 22min do segundo tempo, mas como o árbitro já havia encerrado oficialmente a partida, o gol não foi validado como oficial. A partida foi extremamente conturbada, com os santistas reclamando de um pênalti não marcado sobre Coutinho e um outro sobre Pepe, também reclamaram que os atacantes uruguaios haviam atirado areia nos olhos de Gylmar por ocasião do gol de empate, e no terceiro gol, alegavam que Sasia fizera falta em Calvet. O resultado foi uma enorme confusão, garrafas foram atiradas no campo, a partida foi paralisada diversas vezes. E aos 40min, já valendo como “amistoso” Mauro derruba um atacante uruguaio fora da área, porém Carlos Robles corre para marcar pênalti, mas reconsidera e marca apenas falta, em seguida, o árbitro encerra a partida.
30/08/1962 – Santos 3 x 0 Peñarol-URU
Gols: Caetano (c) aos 9min do primeiro tempo; Pelé aos 3min e aos 44min do segundo tempo.
Local: Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, Argentina.
Público: 45.980 pagantes
Renda: Cr$ 31.000.000,00 ou 5.365.400 pesos argentinos
Árbitro: Leopold Horn (HOL)
Santos: Gylmar; Lima, Mauro e Dalmo; Calvet e Zito; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula
Peñarol: Maidana; Lezcano, Cano e E.González; Gonçálvez e Caetano; Rocha, Matosas, Spencer, Sasía e Joya. Técnico: Béla Guttmann

Texto do Jornalista Mauro Beting:
O Santos só uma vez jogou completo na Libertadores-62. Na finalíssima, em Núñez, cancha do River Plate. Só na terceira partida contra o Peñarol Pelé jogou. Bastou. Dois gols Dele, um de Coutinho que a arbitragem deu para Caetano, contra, e o Santos fez a América pela primeira vez. 3 x 0 no Peñarol então bicampeão sul-americano, e campeão do mundo em 1961.
PRIMEIRA BATALHA – No primeiro jogo, no Centenário, em 28 de julho de 1962, o Santos vencera por 2 a 1, de virada. Lima era o lateral-direito da defesa que sofreu o primeiro gol do equatoriano Spencer (ainda o maior artilheiro da história da Libertadores), aos 18 minutos. Mais não sofreu no jogo de ida. Porque a dupla de zaga Mauro e Calvet manteve o padrão. O primeiro, de futebol refinado que valeu o apelido de Marta Rocha pela elegância comparável a da Miss Brasil 1954, limpou a área santista com a categoria habitual, mas também jogando duro quando preciso contra o excelente ataque carbonero. Do lado esquerdo defensivo, Calvet cobria o lateral Dalmo e pouco concedeu à velocidade, malícia e qualidade do rival. Com gols de Coutinho, o Santos venceu em Montevidéu, de virada, por 2 a 1. E sem Pelé. Mas com Pagão. Desses que fazem qualquer um acreditar em todos os Santos naquele período mágico
SEGUNDA BATALHA – Na volta, na Vila Belmiro, bastava o empate, em 2 de agosto. Ainda sem Pelé, recuperando-se da mesma lesão que o tirara da Copa-62. Spencer abriu o placar uruguaio, aos 15 minutos, depois de driblar dois santistas. Dorval empatou aos 27, em grande jogada individual. Mengálvio virou o placar, aos 35, num chute longo, no ângulo de Maidana. No segundo tempo, o Santos seguiu em cima, perdeu duas grandes chances, até levar o empate, aos 3. Spencer, mais uma vez. Gilmar reclamou que o meia uruguaio Sasía havia jogado terra nos olhos dele no momento do cruzamento de Joya. O árbitro chileno Carlos Robles nada marcou no lance usual do armador uruguaio. Na confusão, uma garrafa atingiu o bandeirinha Domingo Massaro
Dada a saída depois de longa paralisação, Sasía virou o jogo. Mais reclamação santista. Desta vez, de suposta falta em Calvet. Quando o jogo recomeçou, Pagão empatou, aos 22. Antes mesmo de dar 45 minutos, Robles terminou o jogo com festa de campeão para o Santos. 3 x 3. O resultado que o time brasileiro precisava.
Na prática, havia sido 3 x 3, e o título para o time paulista. No papel, porém, a história era outra. Na súmula entregue no dia seguinte, Robles relatou a baixaria, invasões, ameaças e agressões e afirmou que encerrara o jogo com 3 x 2 para os uruguaios. Temendo o fim do planeta na Vila com a suspensão da partida, além do encerramento da própria vida (ele foi ameaçado e agredido nas confusões), Robles fingiu dar prosseguimento a um jogo já acabado pela violência. O gol de Pagão aconteceu no final de mentirinha. o Santos, oficialmente, perdera o jogo que vencera.
A FINALÍSSIMA – Haveria o terceiro jogo, então, em campo neutro. O Santos não queria. Mas teve de aceitar. Ainda conseguiu adiá-lo para o fim de agosto, dia 30. Com arbitragem européia (o holandês Leo Horn). Decisão em Buenos Aires. Se a maioria era argentina na arquibancada, só houve o Santos em campo. O Peñarol manteve o ótimo time no 4-2-4 do treinador húngaro Béla Guttman,campeão europeu pelo Benfica, em 1961, e paulista em 1957, pelo São Paulo.Um dos pais do 4-2-4 que o Brasil adotaria na Suécia, em 1958, com seu auxiliar-técnico no São Paulo, Vicente Feola, comandando a Seleção brasileira na primeira conquista mundial. O time carbonero tinha Maidana na meta, o paraguaio Lezcano e mais Cano, Edgardo González e Néstor Gonçálvez na zaga. No meio, Caetano e Matosas, com Pedro Rocha, Sasía, Spencer e Joya no ataque poderoso blindado por boa marcação santista, e mais uma excelente atuação de Gilmar.
O goleiro bimundial pelo Brasil (e, depois, pelo próprio Santos, em 1962-63), fez pelo duas defesas de Gilmar nos 90 minutos ensolarados em Núñez. O volante multímodo Lima mais uma vez quebrou o galho como lateral-direito e não deixou o ponta peruano Joya fazer ainda mais nome em cima dele. Também no 4-2-4, o treinador Lula armava o Santos com Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pelé, Coutinho e Pepe. Com a bola marrom, os laterais pouco avançavam. Porque bastavam e sobravam pontas como Dorval e Pepe, que driblavam e cruzavam. E, no caso de Pepe, o maior artilheiro terráqueo do Santos, as faltas da intermediária eram batidas em gol. Pelo menos duas vezes tentou no primeiro tempo de domínio santista. Conquistado com o golaço de Coutinho, que recebeu pela esquerda, passou como quis pela zaga rival e bateu de canhota, cruzado. Caetano tentou salvar e acabou mandando para o fundo da rede
Com a vantagem conquistada aos 9 minutos, o Santos até cedeu terreno. Ma bastava o recuo de Dorval e Pepe na recomposição defensiva para dar espaço ao letal contragolpe armado por Pelé e Coutinho, bem municiados por Zito e Mengálvio, que jogavam, não deixavam jogar e ainda ditavam o ritmo daquelas impressionantes camisas brancas em Buenos Aires. Mas foi no segundo tempo que a intensa movimentação de Pelé e Coutinho, autores de tabelinhas espetaculares, acabou por demolir o rival. Pelé, aos 3 do segundo tempo, limpou na entrada da área e bateu sem chances para o ótimo Maidana. Ainda faria um lance sensacional, desde o campo santista, até dar abola para Coutinho chutar para grande defesa do goleiro que depois jogaria no Palmeiras.
O Santos merecia mais um gol contra ótimo adversário, porém batido e abatido. Faltando um minuto, Ele recebeu de Coutinho, desde a linha de fundo, ajeitou a bola e venceu muralha uruguaia postada na linha de meta. Nem com toda a banda oriental dentro da área havia como parar aquelas camisas brancas que se abraçavam no gramado invadido pelos fotógrafos, como no mês anterior o Brasil fizera a festa bicampeã mundial em Chile.
Estava aberto o caminho para a conquista bimundial santista. E contra um gigante bicampeão sul-americano, vencido sem dó quando o Santos, mais uma vez, só jogou futebol. E não tudo que alguns torcedores jogaram no gramado da Vila, na segunda partida.

Fontes e Referências:
Jornal “A Tribuna”;
Jornal “Estado de São Paulo”;
Almanaque do Santos FC;
Centro de Memória e Estatística do Santos FC;

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