Um título bem dividido!

Published On 27/06/2015 | A História das conquistas

O ano de 1966 marca o fim de uma geração e o começo de outra na vida do Santos FC. Naquele ano de Copa do Mundo o Tricampeonato era uma obsessão da CBD, tanto que João Havelange convenceu a direção do Santos a não disputar a Libertadores. Assim, os atletas santistas poderiam participar dos 3 meses de treinamentos para a Copa da Inglaterra. Período em que a CBD convocou 44 atletas para selecionar os 22 para a Copa. No Torneio Rio-São Paulo daquele ano, o Santos obteve o quarto título de sua história com a campanha de 04 vitórias e 03 empates em nove jogos. O Peixe no entanto, dividiu o título com o Botafogo, Corinthians e Vasco. Diversos jogadores das 4 equipes foram convocados para defender a Seleção, e devido ao calendário apertado, as federações do Rio e de São Paulo, declararam os quatro times campeões do torneio Interestadual.
No início daquele ano o clube partiu para suas tradicionais excursões, primeiro na África e Costa do Marfim, depois o destino da turnê é um giro pela América do Sul e Central. Retornando ao Brasil sem Pelé (pois o Rei do futebol se afasta dos campos de futebol, para casar-se pela primeira vez) e com diversos atletas acima dos 30 anos (Gilmar, Zito, Mauro, Pepe, Orlando e o retorno de Del Vecchio) o Santos começa sua campanha no Torneio Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio/Sâo Paulo), “é o momento de preparar a renovação do elenco”, pensa Lula. O Peixe estreia com derrota para o São Paulo, na sequencia vence a Portuguesa no jogo que marcou a estreia de Edú ao time profissional com apenas 16 anos. Muito irregular no início do certame, o SFC seguiu sem vencer até a sexta rodada, quando então, sapecou uma goleada de 4 a 0 no Bangu. Detalhe, Edu arrebentou com a partida. Cansou de entortar Fidélis (que seria o lateral titular da Seleção) e ainda marcou dois gols. Na sequência de seus compromissos, o SFC passa a mostrar seu grande futebol, e obtém êxito nos dois jogos seguintes que eram considerados difíceis e importantes. Primeiro no dia 20 de março diante do Vasco da Gama, uma expressiva vitória por 5 a 2 com gols de Lima (2), Dorval, Zé Carlos e Toninho. Em seguida contra o Palmeiras por 3 a 2 de virada, com gols de Carlos Alberto, Toninho e do menino Edu.
(A finalíssima contada por Guilherme Nascimento, historiador do Santos FC). Até chega a última rodada… de azarão, o Santos passa a ter condições de conquistar mais uma Taça. O adversário seria o Corinthians. O alvinegro paulistanno tinha virado “timão”, pois para tentar ganhar alguma coisa e quebrar o tabu de quase 10 anos sem vencer o SFC, contratara de uma só vez o veterano e genial ponteiro Garrincha (mas, já com inúmeros problemas físicos), o zagueiro Ditão e o volante Nair (ambos da Portuguesa). Seus torcedores imaginavam que juntos com Jair Marinho, Dino Sani, Flávio e Rivellino o SCCP poderia superar o alvinegro de Vila Belmiro.  A situação era a seguinte: quem vencesse torceria contra o Vasco (que enfrentaria o Botafogo), para assegurar o título. Nas contas da imprensa paulistana o Corinthians tinha grandes chances de sagrar-se campeão…

Zito.Garrincha.66

Para a imprensa paulistana, naquela tarde, Garrincha quebraria o tabu, ainda mais sem a presença de Pelé em campo. Pênalti de Zito em Garrincha. Laércio irá defender a cobrança. Empurrado pela torcida, o Corinthians parte para cima… Garrincha esta inspirado e dá um trabalho enorme para Zé Carlos e Zito…. Mesmo assim, ganhar do SFC não era nada fácil… torcedores santistas ou neutros (sim, naquela época era comum ter torcedores nos Estádios que iam ver o espetáculo, sem torcer para nenhum dos dois times) tinham isso quase como certeza… Meus irmãos, que viram a partida no Pacaembu, contam que um senhor de terno, logo atrás deles gritava a pleno pulmões: “Se o Santos perder, eu tiro a roupa!!!” E muitos já imaginavam o espetáculo deprimente que aquele senhor se dispunha a fazer, quando Coutinho foi expulso ainda no 1º tempo… logo em seguida, é a vez de Mengálvio ir embora mais cedo… o Santos com 9 e o sujeito berrava…”Se o SFC perder eu tiro a roupa”… a situação já estava ficando inconveniente, pois o SFC foi todo para a defesa, deixando Toninho Guerreiro isolado no ataque…  Garrincha esta liso feito sabão, sendo parado apenas na pancada… e foi numa dessas que Garrincha cavou um pênalti, aos 44 minutos. Meu pai já estava querendo tirar meus irmãos daquele lugar, pois o alucinado senhor prometia… (bom, das duas uma… ou o exibicionista ficaria isolado, ou ia tomar porrada até cansar…)
Flávio prepara a cobrança, chuta e ………. Laércio defende!!!! Um alívio no time santista e nas arquibancadas do Pacaembu… pois, após esse penalti perdido todos sabiam que o Corinthians não marcaria mais… logo, o Santos não perderia. Assim, aquele senhor tresloucado continuou berrando (e dando risada) “Se o Santos perder, eu tiro a roupa”. No 2º tempo, ainda teve um gol anulado do Corinthians e um outro incrivelmente perdido pelo SFC… final 0x0. No Rio de Janeiro, o Botafogo vencia o Vasco por 3×0 e provocava um quádruplo empate na 1ª posição. Como não haveriam datas disponíveis para o torneio de desempate, os quatro alvinegros foram considerados campeões!

 

 

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