Vila Belmiro e Santos: Tempos do “Espantalho”!

Published On 21/10/2016 | Vila Belmiro
Por Kadw Gomes
Santos, 21/10/2016

Inferno para os rivais e local de devoção dos aficionados santistas…
A Vila Belmiro é um refúgio glorioso para o Santos FC. Na reflexão retrospectiva da história poucos clubes no mundo conseguem de forma tão espetacular e virtuosa, transformar sua casa num local tão amedrontador para rivais e tão triunfante para si próprio quanto faz o Santos FC na Vila Belmiro.
Ambiente temoroso e de apavoramento para os mais fortes adversários, que foi mistificado a partir da segunda metade da década de 1920, com as magistrais campanhas de 1927, 28 e 29, ao qual nasceu na crônica esportiva paulistana o dilema do “ESPANTALHO”.
Celebres tempos que são marcos de gloria para o futebol do Santos FC…
Vila Belmiro encheu durante longos anos o coração dos mais aficionados. As façanhas do quadro santista correram mundo, perpetuando-se nos anais esportivos nacionais como marcos de glorias para o Brasil.
Quantas vitorias, quantos dias fastuosos, fazendo descer na alma do torcedor a vibração incontida dos momentos dramáticos e inesquecíveis do nobre estádio santista. Quanta alegria, quanto entusiasmo, que jamais serão esquecidos. O Santos FC estabeleceu grandes feitos históricos, conquistou triunfos inauditos, baqueou os maiores esquadrões, e a Vila Belmiro transformou-se num “espantalho” aterrorizante!
No período de 1927 a 1931, o SFC foi quatro vezes vice-campeão paulista e venceu praticamente todos os jogos interestaduais e internacionais que disputou. No futebol paulista, foi a equipe que mais venceu (87 triunfos), mais assinalou gols (331), e a que mais acumulou pontos (140). Distribuiu no geral, entre prélios internacionais e nacionais, o recorde de 27 goleadas com mínima diferença de 4 gols! Foi a primeira equipe brasileira a abater campeões da Argentina e do Uruguai, e com dilatada conta de gols: 5 x 1 no Rampla e 4 x 0 no Huracan. E o primeiro clube a golear uma seleção que disputou uma Copa do Mundo: 6×1 na Seleção da França.
A dinastia santista do final dos anos 20 e começo de 30, num retrospecto somatório dos Campeonatos Paulistas, Jogos Internacionais e matches contra cariocas, atuando em Vila Belmiro, deferiu a incrível marca de 55 triunfos e 09 empates, com apenas 04 derrotas, em 68 jogos. Pelos estaduais, em 57 jogos alcançou 47 triunfos e 07 empates. Dos oito duelos Internacionais que fez: venceu sete e empatou um – cumprindo invicto os desafios mundiais que se propôs na época.
“Vila Belmiro é, hoje, o espantalho de todo mundo. Descer a serra para enfrentar o Santos significa perigo à vista. Há, em Urbano Caldeira, um quadro gigante de técnica, cheio de fibra e tradição, que tem o nome de Santos Futebol Clube, Campeão da Técnica e da Disciplina” (Jornal Diário de São Paulo, em 13 de outubro de 1929).
Por temporadas seguidas aprumou o Santos FC um conjunto glorioso que estabeleceu campanhas magistrais, abusando de um futebol perfeccionista, ao qual Vila Belmiro teve um papel incomensurável. O Alvinegro armava no alçapão de Vila Belmiro suas majestosas virtudes técnicas, dominando facilmente os maiores conjuntos brasileiros e estrangeiros: baqueou os maiores quadros paulistas, cariocas, baianos, gaúchos, demoliu seleções europeias e arrasou os rivais Sul-Americanos.
Entre 1929 a 1930 (ano em que ficou invicto por toda temporada e a Vila recebeu alcunha de “Alçapão”), o Santos FC estabeleceu a maior invencibilidade de sua história na Vila Belmiro. Foram 35 jogos, com 29 triunfos e 06 empates.
O “eleven” santista abateu seleções e esquadrões mundiais, permaneceu invicto perante o que de melhor existia e imortalizou seu futebol técnico e disciplinado na, como referia-se a imprensa esportiva, maior ofensiva da história do Amadorismo: Omar,Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista, além de Hugo e Siriri.
Entre 1948 a 1950 voltava à tona a saudosa alcunha de “O ESPANTALHO DE VILA BELMIRO”. A imprensa paulistana retratava os feitos santistas passados para explicar a força do Santos FC naquele presente em Urbano Caldeira. Na reportagem do Jornal O MUNDO ESPORTIVO, relutando sobre o esquadrão de Ouro de 1927-1931, formando a seguinte liminar: “O Glorioso “Alçapão”, que sempre foi um pesadelo para os clubes paulistanos no passado, voltará a ser em 48 um Espantalho (…)”.
E por aqueles anos o Santos aflorou um time forte tecnicamente que fez valer a tradição mística de um futebol bem jogado, que principalmente soube fazer valer o fator Vila Belmiro. A turma de Artigas, Alfredo, Nenê, Antoninho, Pinhegas, Odair Titica e cia, pelos estaduais de 48, 49 e 50, em 33 jogos, obteve 27 e 04 empates. Nesse período jogou em 18 oportunidades contra o “Trio de Ferro” e firmou a freguesia dos adversários. Foram 11 vitórias e 04 empates! Não perdeu nenhum jogo na Vila: 3 a 2, 2 a 1 e 2 a 1 ante o Corinthians; 2 a 1, 1 a 0 e 3 a 2 diante do São Paulo; e 3 a 2, dois empates, contra o Palmeiras.

 Fontes e Referências:
Jornal Diário de São Paulo;
Jornal Mundo Esportivo;
Centro de Memória e Estatística do Santos FC.
 

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