Zito – 1952-1967

Published On 11/03/2014 | Ex-Atletas, Ídolos
Por Kadw Gomes
Santos, 08/08/2016

Nascido em 8 de agosto de 1932, na cidade de Roseira, interior de São Paulo, José Ely Miranda, o Zito, começou sua carreira no Taubaté.
Chegou ao Santos em 1952, aos 19 anos, para se tornar uma das maiores lendas do futebol.
Craque completo e referência mundial na posição de centro-médio, Zito era um difusor de excelência de futebol, dotado de emérita habilidade e extrema capacidade técnica. Jogando sempre de cabeça erguida, deferia passes e lançamentos precisos aos avançados. Por vezes, com um dinamismo incomparável, o próprio se comportava como um sexto atacante, postulando uma revolução na época para os volantes. Sendo também um especialista em desarmes, um marcador implacável e um líder nato, o Gerente Santista tornou-se um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro e mundial em todos os tempos.
A liderança foi um dos maiores legados de Zito, um dínamo inteligível que era técnico do time em campo, ensinando e mostrando todas as jogadas que o técnico do lado de fora, Lula, pedia para executar. Sua elétrica capacidade de estar em vários lugares do campo, o tornava incansável, sempre motivador, aos berros, não deixava o Santos perder o ritmo. Boa parte dos grandes jogos e das inesquecíveis goleadas se devem a ele, que não deixava os companheiros se darem por satisfeitos mesmo quando o jogo já estava ganho.
Em seu primeiro título com a camisa santista, o Paulista de 1955, já era respeitado como um líder e um dos grandes jogadores daquela dinastia que estava se formando. Nos anos seguintes, foi responsável pela criação e proteção do maior time de todos os tempos, anexando-se como um dos nomes mais importantes e imprescindíveis da era mais vencedora de um clube no futebol brasileiro, conquistando estaduais, nacionais, continentais e mundiais. Nas inúmeras trajetórias internacionais, sempre um dos principais destaques, tendo enorme elogio da crítica estrangeira e exemplo para atletas de sua posição.
Pela Seleção Brasileira, Zito começou sua trajetória em 1955, ao qual tempos depois, firmou-se imprescindível nas conquistas das Copas do Mundo de 1958 e 1962. Na primeira conquista, na Suécia, teve enorme participação na criação de jogadas, com passes e jogadas que resultaram em gols, tendo também importante trabalho defensivo. Já na segunda conquista Mundial, no Chile, alcançou o ápice quando eleito o melhor volante do mundo. Em nota de destaque, na finalíssima, marcou um dos gols, o desempate, contra a Tchecoslováquia. Também participou da Copa do Mundo de 1966. Por um longo tempo considerado o melhor centro-médio do futebol brasileiro e mundial, esteve presente em inúmeras listas e seleções ideais do mundo. Por seus números com a camisa canarinho, é o maior volante da história do futebol brasileiro.
Ficou na Vila Belmiro por 15 anos, aposentando-se em 1967.
Na Seleção Brasileira atuou por 10 anos, fazendo seu ultimo jogo em 1966.
Conquistou 22 títulos oficiais. Sem contar os inúmeros torneios amistosos. Entrou em campo com a imaculada camisa branca por 731 vezes, tornando-se o 3º jogador que mais atuou pelo Santos, ficando atrás apenas de Pelé e Pepe.
É um dos poucos jogadores que possui 4 títulos mundiais no currículo, 2 pelo Santos e 2 pela Seleção Brasileira.
Eleito por personalidades do futebol nacional e internacional um dos 20 maiores jogadores brasileiros da história e o melhor volante brasileiro do século XX.
Após pendurar as chuteiras, Zito continuou morando em Santos e atuou diversas vezes como dirigente do SFC. Como diretor das divisões de base, foi um dos responsáveis pelo surgimento da geração de Neymar.
Foi morar ao lado de Deus em um domingo à noite, no dia 14 de junho de 2015, aos 82 anos.

Jogos – 727
Gols – 57
Principais Títulos:
1955 – Campeonato Paulista
1956 – Campeonato Paulista
1958 – Campeonato Paulista
1959 – Torneio Rio-São Paulo
1960 – Campeonato Paulista
1961 – Campeonato Paulista e Taça Brasil (Brasileiro)
1962 – Campeonato Paulista, Taça Brasil (Brasileiro), Taça Libertadores e Mundial Interclubes
1963 – Taça Brasil (Brasileiro), Taça Libertadores, Mundial Interclubes e Torneio Rio-São Paulo
1964 – Campeonato Paulista, Taça Brasil (Brasileiro) e Torneio Rio-São Paulo
1965 – Campeonato Paulista e Taça Brasil (Brasileiro)
1966 – Torneio Rio-São Paulo
1967 – Campeonato Paulista
Fichas Técnicas:
29/06/1952 – Santos 3 x 1 Madureira-RJ

Gols: Hugo [2] e Tite; Genuíno
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Amistoso
Renda: Cr$ 13.735,00
Árbitro: Amaral Sobrinho
Santos: Manga; Hélvio e Pascoal; Nenê, Formiga e Zito; Cento e Nove, Antoninho, Nicácio, Hugo (Alemão) e Tite. Técnico: Aymoré Moreira
Madureira-RJ: Erezê; Bitum e Weber; Claudionor (Angelo), Darci e Walter; Betinho (Pedro Bala), Vadinho (Josias), Genuíno, Ocimar e Osvaldinho.
– Estreia de Zito
22/01/1953 – Santos 2 x 2 Juventus
Gols: Zito aos 5min e Negri aos 16min do primeiro tempo; Osvaldinho aos 20min e Pascoal aos 43min do segundo tempo.
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 25.995,00
Árbitro: Paolo Wissling
Santos: Manga; Hélvio e Expedito; Nenê, Formiga e Pascoal; Alemão, Zito, Carlyle, Otávio e Tite. Técnico: Artigas
Juventus: Ferro; Luizinho e Arnaldo; Vitor, Oswaldo e Nézio; Paz, Negri, Castro, Edelson e Osvaldinho.
– Primeiro gol de Zito com a camisa santista
24/09/1955 – Palmeiras 1 x 3 Santos
Gols: Tite, Zito e Del Vecchio; Jair Rosa Pinto.
Local: Estádio Pacaembu, em São Paulo.
Competição: Campeonato Paulista
Renda: Cr$ 547.445,00
Árbitro: Esteban Marino
Palmeiras: Cavani; Manoelito e Valdir; Waldemar Fiúme, Ruarinho e Gersio; Renatinho, Ivan, Humberto, Jair Rosa Pinto e Rodrigues. Técnico: Cláudio Cardoso
Santos: Manga; Hélvio e Ivan; Ramiro, Formiga e Zito; Alfredinho, Álvaro, Del Vecchio, Vasconcelos e Tite. Técnico: Lula
– Na campanha do título paulista, em uma boa virada pra cima do Palmeiras, Zito marcou o seu.
12/07/1962 – Santos 1 x 0 Universidad Católica
Gol: Zito aos 36min do primeiro tempo
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos.
Competição: Taça Libertadores da América
Público: 10.511 pagantes
Renda: Cr$ 2.374.400,00
Árbitro: Alberto Tejada
Santos: Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Pagão, Cabralzinho (Tite) e Pepe. Técnico: Lula
Universidad Católica: Walter Behrends; Eleodoro Barrientos, Washington Villarroel e Jorquera; Sérgio Valdés e Hugo Rivera; Osvaldo Pesce, Juan Nawacki, Alberto Fouilloux, Orlando Ramírez e Fernando Ibánez.
– Gol da vitória em um dos jogos da campanha do Título da Taça Libertadores de 1962.
13/06/1967 – TSV 1860 Munchen 4 x 5 Santos
Gols: Abel aos 9min, Rebeli aos 11min e aos 32min e Brundi aos 18min do primeiro tempo; Pelé aos 7min e aos 37min, Brundi aos 10min, Edu aos 33min e Toninho aos 36min do segundo tempo.
Local: Estadio Grunwald, em Munique, Alemanha.
Competição: Amistoso
Árbitro: Rieg
TSV: Radenkobic (Fahrian); Wagner, Patzke, Steiner e Reich; Zeiser e Heiss (Ohlars); Kueppers (Konietzka), Brundi, Brunnenmeier e Rebele.
Santos: Claúdio; Carlos Alberto Torres, Joel Camargo, Orlando Peçanha e Geraldino; Lima (Zito) e Clodoaldo; Wilson (Edu), Toninho, Pelé e Abel (Pepe).
– Mesmo contundido, Zito entrou no segundo tempo, e aos berros, comandou a virada do Santos.
07/11/1967 – Combinado Fortaleza/Ferroviário 0 x 5 Santos
Gols: Zito aos 10min e Silva aos 40min do primeiro tempo; Silva aos 31min, Pelé aos 41min e Coutinho aos 44min do segundo tempo.
Local: Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza, Ceará.
Competição: Amistoso
Renda: NCr$ 140.000,00
Árbitro: João Batista dos Santos
Combinado: Miltão (Pedrinho); Luís, Gomes e Carlindo; Veto (Vandinho) e Coca-Cola; Ademir, Marcos (Peu), Edmar, Facó (Paraíba) e Alísio.
Santos: Laércio; Carlos Alberto (Turcão), Joel Camargo (Oswaldo), Orlando e Geraldino; Lima e Zito (Negreiros); Orlandinho (Abel), Silva (Coutinho), Pelé e Edu. Técnico: Antoninho
– Ultima partida de Zito
Fontes e Referências:
Centro de Memória e Estatística do Santos;
Almanaque do Santos;
Livro “100 anos, 100 jogos e 100 ídolos”;

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